Pará e Rondônia ocupam todo o pódio; sistemas agroflorestais explicam qualidade superior
Rio de Janeiro, RJ - Pará e Rondônia fizeram a limpa no Concurso Nacional de Cacau Especial. A 7ª edição, realizada no sábado, 6 em Cacoal (RO), teve os seis primeiros lugares (três em cada categoria) ocupados por produtores da Amazônia.
Produtor amazônico recebe o primeiro lugar no concurso de cacau; Pará e Rondônia fizeram a limpa nas seis primeiras posições Foto: Viralize Comunicação/ Divulgação
Na categoria Mistura, o paraense Robson Brogni, de Medicilândia, levou o ouro.
O produtor não é novato no circuito internacional: ficou em segundo no Cacao of Excellence Award em 2024. Entre os varietais, Mauro Celso Tauffer, de Buritis (RO), conquistou o terceiro título consecutivo com a variedade BN34.
O segredo está na sombra
A vantagem competitiva da Amazônia começa no campo. Enquanto outras regiões apostam em monoculturas a pleno sol, os produtores do Norte trabalham com sistemas agroflorestais: o cacau cresce no meio da mata, protegido por árvores nativas.
O cacaueiro é planta de sub-bosque. Ou seja, ela se desenvolve melhor à sombra, não sob sol direto. Os produtores descobriram que respeitar essa característica não só preserva a floresta como rende sabor superior.
Segundo a organização do concurso, o cacau amazônico tem perfil sensorial único: notas frutadas suaves, baixo amargor, nuances florais e de especiarias. É exatamente o tipo de chocolate que o mercado internacional procura. E paga mais caro por ele.
Avaliação foi às cegas
O CIC transformou todas as amostras em chocolate 70% seguindo receita e processo idênticos. A degustação foi às cegas. Nem os jurados sabiam quem havia produzido cada chocolate.
Mas não foi só sabor. Técnicos visitaram as propriedades finalistas para avaliar práticas ambientais, condições de trabalho e manejo. Sustentabilidade entrou na conta.
Bean-to-bar impulsiona setor
O concurso reflete o crescimento do mercado bean-to-bar. Fabricantes que compram direto do produtor e controlam toda a cadeia. Um quilo de cacau especial pode valer três vezes mais que o commodity.
A rastreabilidade virou diferencial competitivo. Consumidores querem saber de onde vem o chocolate, quem produziu, como foi plantado. E o cacau amazônico tem narrativa de sobra: floresta em pé, biodiversidade, agricultura familiar.
Das 108 amostras inscritas de todo o país, 20 chegaram à final. O evento reuniu 500 pessoas no Cacoal Selva Park, incluindo o governador de Rondônia, Marcos Rocha, e representantes da indústria do chocolate. A premiação distribuiu R$ 100 mil entre os vencedores.
Os campeões
Categoria Mistura
- Robson Brogni (Medicilândia/PA)
- Gilmar Batista de Souza (Uruará/PA)
- Miriam Aparecida Federicci Vieira (Medicilândia/PA)
Categoria Varietal
- Mauro Celso Tauffer (Buritis/RO) - Variedade BN34
- José Batista de Souza (Uruará/PA) - Variedade Casca Fina
- Luíz Anastácio da Silva (Cacoal/RO) - Variedade CEPEC 2022
O concurso existe desde 2018 e é organizado pelo CIC com apoio de empresas como Mars, Cacau Show, Lacta, Dengo e Instituto Arapyaú.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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