A família cobra uma resposta das autoridades de saúde enquanto médicos tentam esclarecer se o caso pode estar relacionado à doença de Chagas aguda
Belém, PA - Cadastrado no Sistema Estadual de Regulação (SER) sob o número 27505226, o aposentado Ismael Batista, de 87 anos, permanece internado em estado gravíssimo no Hospital Geral de Mosqueiro, em Belém, aguardando transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Portador de Alzheimer, cardiopatia e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o paciente foi intubado após apresentar um quadro súbito de diarreia intensa, vómitos, desidratação grave e insuficiência respiratória. A família cobra uma resposta das autoridades de saúde enquanto médicos tentam esclarecer se o caso pode estar relacionado à doença de Chagas aguda, uma das hipóteses levantadas após o consumo de açaí.
Segundo documentos médicos obtidos pela reportagem, Ismael foi atendido inicialmente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e encaminhado ao Hospital Geral de Mosqueiro após apresentar rápida deterioração clínica. O relatório médico descreve sinais de hipoperfusão, hipotensão, desconforto respiratório e dessaturação, quadro que evoluiu para insuficiência respiratória aguda, exigindo intubação orotraqueal e ventilação mecânica.
A gravidade do caso levou a equipa médica a solicitar, em caráter de urgência, uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva. O pedido foi formalizado junto ao Sistema Estadual de Regulação e classificado como prioritário. Os documentos de regulação apontam que o paciente preenche critérios clínicos para internação em UTI, incluindo insuficiência respiratória grave com necessidade de ventilação mecânica invasiva.
O prontuário médico classifica Ismael Batista como paciente em “gravíssimo estado geral”, sob sedação contínua e dependente de suporte ventilatório. Além da idade avançada, o idoso convive com doenças pré-existentes que aumentam o risco de agravamento do quadro clínico.
Exames laboratoriais realizados em 4 de julho apontaram alterações compatíveis com processo infeccioso, incluindo leucócitos de 11.300, ureia de 74 mg/dL e plaquetas de 107 mil. Apesar da gravidade do quadro, o Hospital Geral de Mosqueiro não dispõe da estrutura necessária para realizar exames especializados capazes de confirmar ou descartar a suspeita de doença de Chagas aguda por transmissão oral.
A hipótese é investigada em razão do histórico recente de consumo de açaí e da rápida evolução clínica apresentada pelo paciente. O Pará concentra parte significativa dos casos brasileiros de doença de Chagas transmitida por alimentos contaminados, especialmente produtos derivados do açaí processados sem as medidas adequadas de higiene e pasteurização.
Familiares afirmam que aguardam desde a última quinta-feira, 3, uma definição sobre a transferência para uma unidade de maior complexidade. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação de vaga disponível.
“Meu pai está intubado, em estado gravíssimo, e precisa de uma UTI. O hospital está fazendo tudo o que pode, mas ele precisa de exames e de uma estrutura que não existe aqui. Cada hora que passa aumenta nossa preocupação”, relatou um familiar.
O caso reacende o debate sobre o acesso a leitos especializados e a capacidade de resposta da rede pública para pacientes críticos nos distritos mais afastados da capital paraense. Embora o Hospital Geral de Mosqueiro seja referência para a população local, casos de alta complexidade dependem da disponibilidade de vagas reguladas em hospitais com suporte intensivo.
Até o fechamento desta reportagem, Ismael Batista permanecia internado, sedado, em ventilação mecânica e aguardando transferência. A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) e a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) para esclarecimentos sobre o caso e a situação da regulação do paciente, mas não obteve respostas. O espaço permanece aberto para manifestação dos órgãos responsáveis.
Foto: Agência Belém
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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