Bolsonarista é acusado de atuar no núcleo da desinformação na tentativa de golpe de Estado.
São Paulo, 29 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo
Tribunal Federal (STF) deu nesta quinta-feira, 28, um prazo de cinco dias para
que a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifeste a favor ou contra a
suspensão de denúncia que acusa o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo de
atuar no núcleo da desinformação da tentativa de golpe de Estado. A Defensoria
Pública da União (DPU), que representa o influenciador, contestou o método
usado pelo magistrado para notificá-lo.
Figueiredo mora nos Estados Unidos e não foi encontrado para ser informado
sobre sua denúncia. No entanto, Moraes deu o influenciador como notificado e
estabeleceu que o julgamento deveria seguir, mesmo sem manifestação da defesa.
A decisão se deu após Figueiredo, em julho, gravar vídeos falando sobre o
processo.
"A ciência inequívoca do acusado indica a ausência de qualquer prejuízo na
realização de sua notificação. Além disso, o acusado Paulo Renato de Oliveira
Figueiredo Filho está localizado em país estrangeiro e em endereço desconhecido,
de modo que não há possibilidade de sua notificação por outros meios",
escreveu o ministro na decisão.
O blogueiro ainda não indicou um advogado. A Defensoria Pública da União (DPU)
assumiu, então, sua representação. O órgão enviou um recurso contestando a
decisão de Moraes de notificar Figueiredo por este método.
A defesa escreveu que "ainda que o investigado possa ter feito breves
comentários sobre os pedidos de suspensão do processo e do prazo prescricional
feitos pela Procuradoria-Geral da República e pela Defensoria Pública da União
em vídeos publicados em rede social, não se pode deduzir que teve ele acesso à
íntegra da acusação formulada no presente processo, elemento essencial e
indispensável para o prosseguimento do feito".
A DPU ainda completa afirmando que "o prosseguimento do processo sem que o
citando tenha o conhecimento integral da acusação fere as garantias basilares
do processo penal". Como solução, o órgão publico propôs que Moraes envie
"carta rogatória ou carta de ordem à autoridade central dos EUA",
para pedir que o país notifique Figueiredo.
Figueiredo tem atuado como braço direito do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP),
que articula sanções contra o Brasil nos Estados Unidos, como as tarifas de 50%
contra produtos nacionais, a cassação de vistos de autoridades e a aplicação da
Lei Magnitsky contra Moraes.
O objetivo dos dois é travar o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo e
pressionar o Congresso por uma anistia para os envolvidos na trama golpista,
incluindo o ex-presidente.
Fonte: Estadão conteúdo
Foto: Reprodução
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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