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CONCURSO PÚBLICO

Metade da prova da Secretaria da Fazenda do Estado está sob questionamento

Petição com milhares de assinaturas contesta questões de Economia Regional e levanta risco de judicialização do certame.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 15/04/26 08:00
Metade da prova da Secretaria da Fazenda do Estado está sob questionamento
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concurso público da Secretaria da Fazenda do Pará, realizado no fim de março e organizado pela Fadesp, entrou em zona de turbulência. Uma petição que já reúne milhares de assinaturas de candidatos pede a revisão de parte da prova, com foco na disciplina de Economia Regional, apontada como fator de distorção no resultado geral.

 

Milhares de candidatos pedem revisão da prova na disciplina de Economia Regional, apontada como fator de distorção no resultado geral/Fotos: Divulgação.

O argumento central é de que algumas questões teriam cobrado conteúdo fora do previsto no edital, o que, em tese, compromete a previsibilidade e a isonomia do certame. A contestação ganhou tração nas últimas horas e já circula de forma organizada entre grupos de candidatos.

Não está escrito

O ponto mais sensível está na composição da prova. Segundo os candidatos, das 10 questões de Economia Regional, ao menos cinco abordaram temas não contemplados no conteúdo programático. O edital indicaria como referência específica a publicação “Pará em Números 2024” apenas para parte da disciplina. Ainda assim, itens da prova teriam exigido domínio de bases mais amplas, como dados e conceitos não delimitados previamente - o que obrigaria o candidato a extrapolar o material indicado.

Na prática, a divergência se concentra na fronteira entre o que seria conteúdo “implícito” - argumento comum das bancas - e o que deveria estar claramente previsto no edital.

Efeito no resultado

O impacto alegado vai além da formulação das questões. Candidatos sustentam que o desempenho em Economia Regional acabou tendo peso desproporcional na classificação final. Relatos indicam um cenário em que concorrentes com desempenho geral elevado estariam sendo eliminados, enquanto outros, com notas globais mais baixas, avançariam em função do resultado específico nessa disciplina.

Levantamentos extraoficiais que circulam entre os candidatos apontam, inclusive, para um possível afunilamento no número de aprovados em cargos estratégicos, como o de Fiscal de Receitas.

Barras da Justiça

O caso reúne elementos típicos de contestação judicial: volume de adesões, questionamento técnico do edital e potencial impacto direto no resultado do concurso. Se houver comprovação de cobrança fora do conteúdo programático, o caminho mais provável passa pela anulação de questões ou revisão da correção - medidas que podem alterar significativamente a classificação final.

Por outro lado, a banca tende a sustentar que os temas estavam abrangidos de forma implícita, o que desloca o debate para o campo técnico e interpretativo.

Pressão institucional

Além do embate jurídico, o episódio adiciona pressão institucional. Um eventual atraso ou revisão mais ampla pode afetar o cronograma de nomeações e, por consequência, áreas sensíveis da administração fazendária. A mobilização dos candidatos já é tratada como um movimento organizado, com potencial de ganhar novos desdobramentos nos próximos dias.

 ESTABILIDADE

Aumento de 25% nas
ações para nomeação
em concursos mostra
distorção em critérios

Em 2025, foram 44.605 novos processos questionando, principalmente, preterição de candidato no momento da nomeação

No apagar das luzes de 2025, o prefeito do Recife, João Campos, do PSB, nomeou como procurador do município um candidato a uma vaga reservada para PCD que apresentou um laudo de TEA três anos após o concurso, realizado em dezembro de 2022.

A estratégia - considerada “descaradamente absurda” - fez com que Lucas Vieira Silva, filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas de Pernambuco, saltasse da posição de número 63 na classificação geral para 1º colocado no concurso.

O primeiro a reagir ao absurdo foi o único candidato PCD classificado na primeira homologação, o advogado Marko Venício dos Santos. Mas, para além dele, a chuva de críticas e ações foi tão intensa que o prefeito acabou recuando da decisão e anulou, dias depois, a nomeação do filho da procuradora.

O episódio registrado no Recife traz à tona um dado que poucas pessoas têm conhecimento no Brasil: cada vez mais candidatos aprovados em concursos públicos têm recorrido ao Judiciário para reivindicar o direito à nomeação. O Brasil registrou no último ano, em média, 122 novas ações por dia envolvendo disputas sobre classificação e preterição.

O levantamento feito com base no BI (Business Intelligence) do Conselho Nacional de Justiça mostra que, em 2025, o País teve 44.605 novos processos sobre o tema, frente a 35.332 em 2024 - aumento de 26,5%. Na comparação com 2020, quando foram registrados 27.330 processos, o aumento foi de 63,21%.

Desrespeito como razão

O prazo prescricional para ajuizar ação judicial por preterição - tecnicamente chamada de preterição de candidato na nomeação em concurso público - é de cinco anos, contados a partir da data em que outro servidor foi nomeado em detrimento do candidato aprovado.

Em casos assim, a primeira orientação é observar o edital. É esse documento que prevê a possibilidade de contestar notas, questões ou critérios de correção. Caso sejam identificados erros ou inconsistências, o primeiro passo é uma reclamação administrativa, que pode evoluir a recurso judicial caso esta não seja bem-sucedida.

O caso paraense

O levantamento feito com base nos dados do Conselho Nacional de Justiça não mostra um número consolidado ou totalizador do volume de ações judiciais sobre nomeações de concursos públicos no Pará. Mas, de acordo com informações publicadas pelo governo do Estado, o Executivo realizou, entre 2019 e 2026, 25 concursos públicos para ofertar cerca de 17,5 mil vagas entre imediatas e cadastro de reserva.

Desse total, o governo do Pará afirma ter nomeado mais de 17 mil servidores em áreas estratégicas. Quantas dessas nomeações foram contestadas administrativa ou judicialmente também é uma informação desconhecida. 

Papo Reto

Uma carta aberta assinada por Charles Alcântara, presidente do Sindifisco, escancara mais do que insatisfação do setor - expõe uma decisão sem lastro visível do secretário da Fazenda, Renê Júnior (foto).

•O remanejamento da Ceeat de Grandes Contribuintes, além de mal explicado, levanta dúvida básica: qual a lógica de sair de um prédio próprio, recém-reformado com dinheiro público - R$ 1,5 milhão -, para um imóvel alugado?

A visita silenciosa da Seplad só piorou o cenário. Sem informação oficial, cresce o ruído - e, com ele, a percepção de improviso. Em estruturas que lidam com os maiores contribuintes do Estado, improvisar custa caro.

•A realidade dispensa enredo: ou o governo apresenta conta, critério e propósito, ou a mudança passa a cheirar mais a uma decisão administrativa errática do que política pública planejada.

Bastou retirar a audiência pública da cidade do Acará para que comunidades locais e representantes do movimento “Lixão Aqui Não” fossem ouvidos em sessão na Assembleia Legislativa, em Belém, na segunda-feira, 13.

•A discussão sobre os impactos sanitários e ambientais da possível instalação de aterros sanitários em Acará e Bujaru ocorreu dentro da maior tranquilidade. 

Agora, a luta é contra a decisão judicial que autorizou a continuidade do licenciamento ambiental pelas prefeituras e pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado, até julho de 2027 e pelo arquivamento do projeto.  

•Mestres de cerimônia recomendam que as autoridades presentes em eventos sejam citadas apenas na abertura, sem a necessidade de ser repetida a cada novo pronunciamento. 

Esse protocolo busca tornar as cerimônias oficiais mais objetiva e menos enfadonhas.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.