Remoção excessiva de cera do ouvido pode ressecar a pele do canal e provocar coceira e outros problemas
São Paulo, SP - Quando o assunto é a cera do ouvido, a limpeza deve se limitar à área externa da orelha, conhecida como pavilhão auricular. A cera ou cerume, que é uma substância amarela ou marrom clara, pode ser removida somente quando estiver visível na borda da entrada do canal auditivo.
Após o banho, é importante utilizar uma toalha macia ou papel higiênico para enxugar essa parte externa. Nesse momento, a orelha está úmida e fica mais fácil remover a cera. A necessidade de limpeza varia de pessoa para pessoa, mas, geralmente, não precisa ser realizada todos os dias.
Algumas pessoas produzem mais cera, outras, menos. Como ela é expulsa naturalmente, pode se acumular na área externa da orelha. Nesse caso, é possível limpar apenas essa região, sem introduzir objetos no canal auditivo, diz Marcelo Tepedino Jr., otorrinolaringologista e diretor da Sociedade Brasileira de Otologia, vinculada à Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.
Tá liberado o cotonete?
Pode ser usado apenas nas dobras externas da orelha e nunca inserido no canal auditivo. Mas o uso não é totalmente recomendado pelos especialistas, a dica ali de cima é a primordial.
Ao ser introduzido, pode empurrar a cera para o fundo, provocando acúmulo de cerume, infecções e até a perfuração do tímpano, alerta Georgiana Hueb, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês.
A falsa vilã
Ao contrário do que muitos pensam, a cera não é sujeira e funciona como uma barreira que impede a entrada de microrganismos no canal auditivo, protegendo a orelha contra diversas infecções. Além disso, a remoção excessiva pode ressecar a pele do canal e provocar coceira.
Um dos sinais mais comuns de acúmulo de cera no ouvido é a sensação de ouvido tampado, como se algo estivesse obstruindo a audição. Diferentemente das otites, o excesso de cera não causa febre, dor intensa nem saída de secreção. Ainda assim, nem sempre é possível identificar a causa apenas pelos sintomas. Problemas no ouvido devem ter avaliação médica.
Foto: Freepik
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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