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ELEIÇÕES 2026

Justiça Eleitoral vê "palavras mágicas" em jingle e impõe freio a Hana no Pará

Decisão liminar aponta indícios de propaganda antecipada, proíbe uso de bonés e jingle e determina retirada de material das redes sociais.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 14/02/26 08:00
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Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE ligou mais um alerta jurídico no ciclo pré-eleitoral de 2026 ao deferir parcialmente pedido liminar em representação movida pelo PSB contra a vice-governadora Hana Ghassan por suposta prática de propaganda eleitoral antecipada. O PSB, até aqui, é o partido do atual prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, principal adversário de Hana na disputa ao governo do Pará nas eleições de outubro.

 

É o segundo revés da vice-governadora no TRE, que determinou a retirada de outdoors das ruas em Belém e municípios do Estado/Fotos: Divulgação.

Na decisão assinada pelo juiz federal Domingos Daniel Moutinho da Conceição Filho, relator da Representação nº 0600019-50.2026.6.14.0000, o magistrado reconhece a presença simultânea de indícios de uso de meios vedados, conteúdo com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto e possível violação ao princípio da igualdade de oportunidades entre os futuros candidatos.

Propaganda pura

A análise preliminar do TRE considerou que a vice-governadora extrapolou os limites legais da pré-campanha ao participar de inaugurações de obras públicas com utilização reiterada de artefatos de natureza eleitoral, especialmente bonés padronizados com a inscrição de seu primeiro nome, “Hana”, além da execução de jingle com menção direta ao cargo de governadora.

Para o relator, ainda que não haja pedido literal de voto, a repetição de expressões como “A minha governadora é a Hana” configura o uso das chamadas “palavras mágicas”, entendimento já consolidado pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a caracterização de propaganda extemporânea.

Estrutura do governo

A decisão também observa que a representada, na condição de vice-governadora e potencial sucessora do atual chefe do Executivo estadual, teria se beneficiado de visibilidade institucional e de estrutura estatal não disponível a outros eventuais pré-candidatos, convertendo atos administrativos em vitrines de promoção pessoal com nítido viés eleitoral.

Com base nesse entendimento, o TRE determinou que a representada promova, no prazo de 48 horas, a retirada de postagens já publicadas em seus perfis nas redes sociais que contenham os materiais questionados; abstenha-se de utilizar bonés semelhantes aos identificados nos autos; suspenda a veiculação do jingle mencionado por qualquer meio, inclusive digital e, ainda, deixe de promover sua imagem pessoal em eventos governamentais nos moldes descritos na representação, sob pena de multa de R$ 5 mil por cada descumprimento.

Uso da máquina

Embora tenha afastado, por ora, a análise sobre eventual violação ao princípio da impessoalidade decorrente do uso de eventos oficiais, por entender que a matéria demandaria ação própria, o relator ressaltou que a utilização de aparato estatal com finalidade eleitoral pode comprometer a paridade de armas entre os participantes do pleito.

A legislação eleitoral brasileira veda expressamente o uso da máquina pública em benefício de candidaturas, ainda que de forma indireta, como forma de preservar a igualdade de oportunidades entre os concorrentes. Nesse sentido, a Lei nº 9.504/1997 e a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral são pacíficas ao impor limites à atuação de agentes públicos em período pré-eleitoral, proibindo que estruturas, bens, serviços ou eventos institucionais sejam utilizados para promoção pessoal com finalidade política.

Outdoors pelo Pará

A nova decisão se soma a outro revés recente sofrido por Hana Ghassan na Justiça Eleitoral, que já havia determinado a retirada de outdoors com sua imagem instalados em diversos municípios do Pará, também sob o entendimento de promoção pessoal com conotação eleitoral antecipada.

O número grandioso de placas de outdoors de boas festas e também “homenageando” a vice-governadora Hana Ghassan pelo aniversário espalhou-se por diferentes regiões do Pará e chamou a atenção pelo volume de mensagens travestidas de felicitações, cuja retirada foi determinada pela Justiça Eleitoral e vem ocorrendo de forma lenta, em total descaso com a devida obediência exigida pelas decisões judiciais.

Papo Reto

•O TSE negou provimento a pedido do Novo e do Missão para suspender o desfile da Acadêmicos de Niterói, que fará homenagem ao presidente Lula. 

A decisão veio com um alerta da ministra Cármen Lúcia (foto): a rejeição não é um salvo conduto, e eventuais ilícitos eleitorais envolvendo a participação de membros do governo na festividade serão levados a julgamento. 

•A controvérsia de Lula e a Acadêmicos de Niterói não é inédita. Em 2006, uma escola de samba que homenageou lideranças do PSDB em São Paulo também foi alvo de questionamentos judiciais e tentativa de CPI. 

Durante o Carnaval, parlamentares aproveitam a visibilidade da festa para reforçar a presença nas bases eleitorais. Blocos, camarotes e desfiles se tornam palco de articulação do enredo político, misturando festa e estratégia eleitoral. 

•Com a chegada do Carnaval e o aumento das aglomerações, projetos sobre segurança em eventos ganham destaque no Congresso. As propostas tratam de prevenção de crimes, exigências estruturais, acessibilidade e controle de festas irregulares. 

O fim do Carnaval marca a retomada intensa dos trabalhos na Câmara em 2026, pressionada pelo calendário eleitoral e pela janela partidária. Entre as prioridades na primeira semana estão a PEC da Segurança Pública, a internalização do acordo Mercosul-UE e a regulamentação comercial das big techs.

•Da Era Vargas à ditadura militar, o Carnaval já ironizou presidentes, exaltou heróis e driblou censura. A avenida segue sendo palco simbólico onde política, memória e disputa pública se encontram. 

A homenagem da Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula virou caso no TSE e no TCU, por suposta propaganda antecipada. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.