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NA UFRA

Justiça derruba ação e mantém reitora no cargo, mas fixa prazo para a nova eleição

Decisão valida nomeação pro tempore feita pelo MEC e obriga universidade a concluir lista tríplice até maio.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 19/02/26 11:00
Justiça derruba ação e mantém reitora no cargo, mas fixa prazo para a nova eleição
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Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) atravessa, desde o ano passado, um período de instabilidade administrativa provocado pela anulação do processo eleitoral para escolha de reitor, após a constatação de irregularidades na consulta pública. Embora a eleição tenha sido realizada, o procedimento acabou suspenso e cancelado, levando o Ministério da Educação a intervir.

Decisão prevê que processo eleitoral não pode ser postergado e determina consulta pública até o final de maio deste ano/ Fotos: Divulgação.
Em agosto de 2025, o Ministério da Educação nomeou a professora Janae Gonçalves como reitora pro tempore, com a missão de conduzir a transição institucional e reorganizar o processo democrático interno.

Nova contestação 

Desde que assumiu a Reitoria, Janae Gonçalves passou a ser alvo de contestações políticas e judiciais. A mais recente foi uma ação ajuizada, em setembro de 2025, pela Associação dos Docentes da UFRA (Adufra), que buscava anular a Portaria MEC nº 556/2025, responsável por sua nomeação.

A entidade alegava que, diante da vacância simultânea dos cargos de reitor e vice-reitor, deveria assumir temporariamente o pró-reitor de Ensino, João Almiro Corrêa Soares, conforme o Estatuto da UFRA. Também sustentava desvio de finalidade, violação à autonomia universitária e pedia nova consulta pública para formação da lista tríplice.

Pedido improcedente

A ação foi julgada improcedente pela 5ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Pará, vinculada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Na decisão, o magistrado destacou que a nomeação de reitor de universidade federal é competência do presidente da República, nos termos do artigo 16 da Lei nº 5.540/68.

O juiz entendeu que a designação pro tempore é legítima quando inexistem condições imediatas para formação da lista tríplice e que o estatuto interno da universidade não pode restringir a prerrogativa presidencial. Concluiu, assim, que a nomeação de Janae Gonçalves é legal e constitucional.

A decisão também faz referência a entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o qual o princípio da gestão democrática não impõe modelo único ou obrigatório para escolha de dirigentes universitários.

Eleição sob prazo

Embora reconheça o cenário de crise administrativa e desorganização institucional na UFRA, o magistrado reforçou que não há qualquer decisão judicial que impeça a continuidade da consulta pública. O TRF1, inclusive, já autorizou o prosseguimento do processo eleitoral.

Ainda assim, fez um alerta direto à Reitoria: o processo não pode ser postergado indefinidamente. Na determinação final, a universidade deverá concluir a consulta pública, formar e homologar a lista tríplice até o final de maio de 2026.

Na decisão, foi ressaltado que o prazo estatutário de 60 dias para permanência da reitora pro tempore foi flexibilizado em razão da crise institucional enfrentada pela universidade.

Reconstrução urgente

A nomeação de Janae Gonçalves teve como objetivo explícito restabelecer a normalidade administrativa, democrática e a autonomia universitária, incluindo a reestruturação dos conselhos superiores e a condução da Comissão Eleitoral Geral.

O processo precisou ser reiniciado do zero após a Justiça Federal suspender, no início de 2025, o edital eleitoral para a Reitoria, em razão de irregularidades na composição do Conselho Universitário (Consun), que não realizava eleições internas desde 2019.

Por determinação judicial, o Consun teve de ser legalmente reestruturado. Em outubro de 2025, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação das Instituições Federais do Pará (Sindtifes-PA) homologou o resultado da eleição dos representantes dos técnico-administrativos em Educação para o conselho, referente ao biênio 2025–2027.

Conselho e calendário

A Universidade segue em processo de recomposição de seus conselhos superiores. Uma nova Comissão Eleitoral Geral foi instalada em 26 de janeiro de 2026, sob a presidência da professora Ruth Helena Almeida. No início de fevereiro, a comissão realizou atividades itinerantes, incluindo visitas ao Campus Tomé-Açu, para dialogar com a comunidade acadêmica e formação de subcomissões locais.

A consulta eleitoral está prevista para o dia 6 de maio, com conclusão de todo o procedimento até o dia 26 do mesmo mês - agora, sob prazo judicial e vigilância redobrada 

Papo Reto

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.