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Inversão da pirâmide alimentar nos EUA busca aliviar orçamento da saúde pública

Proposta de Donald Trump impõe a mudança da velha Pirâmide Alimentar (de 1992) pelo modelo "MyPlate" (de 2011), promovendo hábitos alimentares mais saudáveis.

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 18/01/26 10:00
Inversão da pirâmide alimentar nos EUA busca aliviar orçamento da saúde pública

A gestão pública moderna impõem desafios cada vez maiores, ante às necessidades ilimitadas da população e a crescente limitação dos recursos do governo. Entretanto, racionalizar o disponível exige audácia e conhecimento cada vez mais aprofundado da causa em questão, sem contar a inadiabilidade de decisões politícas sem olhar para a próxima eleição.


O governo americano, de olho no orçamento da saúde, inundado por um preocupante expansão das doenças adquiridas através da mesa, partiu para um esforço nacional sincronizado em prol da adoção do modelo "MyPlate", que divide visualmente um prato em 50% vegetais + frutas, 25% grãos (preferencialmente integrais) e 25% proteínas, com ênfase em carnes magras, feijões e peixe.


Provado está, pois, que a atual pirâmide alimentar americana, baseada em carboidratos (pães, massas e arroz), implica no consumo excessivo de farinhas refinadas, açúcares, fatores mais do nunca associados à obesidade e diabetes.


A nova orientação do governo privilegia a ingestão de grãos integrais, limita e controla porções de carboidratos, dando ênfase a vegetais e frutas. Ou seja,

metade do prato precisa ser composto por frutas e vegetais para elevar a ingestão de fibras, vitaminas e antioxidantes.


Também incentiva o consumo de proteínas variadas e magras como feijões, peixes, aves e nozes, em detrimento a carnes processadas, como salsicha, presunto, mortadela e bacon, todas essas associadas a riscos cardiovasculares.


Mais ainda: inclui leite ou iogurte com moderado teor de gordura. O impacto buscado? Simples, a redução do risco de doenças crônicas, caríssimas de tratar.


Claro que o modelo "MyPlate" sofre críticas por não abordar diretamente o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares adicionados ou gorduras não saudáveis, presentes em muitos produtos industrializados.


Mas a mudança de atitude do governo implica e depende de uma nem sempre provável reeducação alimentar e acesso a alimentos frescos, o que é sempre desigual entre diferentes grupos socioeconômicos.


Mesmo que o modelo acabe não considerando necessidades individuais, como dietas vegetarianas, restrições culturais ou condições médicas, Donald Trump e sua equipe focam no impacto à saúde pública e seu bilionário orçamento.


Já nos EUA os custos com doenças relacionadas à obesidade são estimados em cerca de US$ 147 bilhões por ano, valor que representa quase 10% de todos os gastos com tratamentos, medicamentos e hospitalizações, além dos custos indiretos, como perda de produtividade.


A abordagem "MyPlate" pode reduzir a obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, que se tornaram verdadeira febre na América? Estudos científicos provam que sim. Porém, a efetividade do modelo dependerá de políticas complementares como subsídios a alimentos saudáveis, regulação de marketing de junk food e, em última análise, a adoção de programas educativos.


Considero a inversão da pirâmide alimentar um avanço notável ao tornar as orientações do governo mais intuitivas e baseadas em evidências científicas. Sua implementação, no entanto, enfrentará obstáculos estruturais como desigualdade social, cultura alimentar e, mais que tudo, o ultra poderoso lobby da indústria alimentícia. 


A mudança é um passo positivo, mas precisa ser acompanhada de ações sistêmicas para transformar efetivamente a saúde da população.


Foto: Freepik

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.