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EM MARITUBA

Gravações registram suposta pressão de dois assessores da prefeitura por voto

Áudios e vídeos atribuídos a assessores da prefeitura relatam cobrança política e temor de exoneração após a eleição.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 04/10/26 08:00

Em gravação atribuída a Fernando Braun, servidor municipal teria sido questionado sobre suas escolhas políticas/Fotos: Rede Social.


A


liberdade do voto, princípio básico de qualquer eleição, ganhou contornos diferentes em Marituba. Áudios e vídeos obtidos pela coluna registram conversas atribuídas a servidores municipais com relatos de pressão relacionada às suas escolhas políticas e temor de perder o cargo depois da votação deste domingo.

Os registros envolvem dois assessores da prefeitura: Fernando Braun, secretário especial de Governo, e um assessor identificado pelo prenome de Felipe. Segundo os relatos que acompanham as gravações, os dois teriam feito contatos com servidores para cobrar apoio ao candidato a deputado federal defendido pelo grupo político da prefeita Patrícia Alencar.

A ressalva é importante: os materiais obtidos pela coluna apontam para a atuação dos assessores citados, mas não demonstram, até o momento, participação direta da prefeita nas ligações. As denúncias, por sua vez, foram encaminhadas à Justiça Eleitoral, que deverá avaliar os fatos e os elementos apresentados.

“Dar uma oportunidade”

Em uma das gravações atribuídas a Fernando Braun, um servidor é questionado sobre sua posição política e sobre continuar seguindo as orientações da prefeita ou permanecer alinhado a um vereador, inclusive na escolha do candidato a deputado federal. O servidor reafirma um compromisso político que, segundo afirma na conversa, mantém há mais de quatro anos.

Braun nega que esteja fazendo ameaça, mas, na sequência, fala em “dar uma oportunidade”. O trecho ganha relevância porque o servidor relata na própria conversa o receio de ser exonerado na segunda-feira seguinte à eleição.

“Ou tudo ou nada”

Os relatos recebidos pela coluna indicam ainda que a cobrança não teria ficado restrita a servidores que fazem oposição ao grupo da prefeita. Funcionários que afirmam apoiar Hana Ghassan também teriam sido pressionados em relação à escolha para deputado federal. A situação, se confirmada pelas autoridades, coloca em discussão uma questão que ultrapassa a disputa entre candidatos: a utilização da estrutura administrativa para influenciar a escolha individual do servidor.

O voto é secreto e o cargo público, por sua vez, não pode ser convertido em instrumento de controle sobre a preferência eleitoral de quem ocupa uma função na administração.

Denúncias na Justiça

Segundo as informações encaminhadas à coluna, as denúncias foram apresentadas à Justiça Eleitoral na noite de sábado, véspera da votação.

Caberá às autoridades verificar a autenticidade e o contexto das gravações, identificar os responsáveis pelas condutas relatadas e decidir se os fatos configuram assédio eleitoral ou outra eventual irregularidade.

“Égua, não!”

A Prefeitura de Marituba, Fernando Braun e o assessor identificado como Felipe devem ser procurados para apresentar suas versões sobre os fatos. A quem interessar possa, a coluna defende o seguinte: ninguém deveria precisar escolher entre o voto e o emprego –, mas disponibiliza espaço para eventuais esclarecimentos dos interessados e envolvidos.

Papo Reto

• O ex-prefeito Zenaldo Coutinho (foto) escreveu nas redes sociais: “Tempos estranhos”, criticando quem, segundo ele, festeja a ausência de debate como jogada inteligente, em referência à decisão da Globo.

• Zenaldo lembrou os tempos em que esteve em lados opostos nos debates, mas sem que a divergência política eliminasse “humanidade e afeto”. Para ele, a polarização brasileira está produzindo “coisas muito esquisitas de ambos os lados”.

 •É uma boa lembrança para um domingo de eleição: adversário político não precisa virar inimigo.

• Belém já entrou no clima da maior festa religiosa do Brasil, mas os hotéis, quem diria, estão com ocupação pouco acima de 40%. O setor reza para chegar a 70% na semana do Círio.

• E já encontrou um vilão para tanta cama vazia: o preço das passagens aéreas. Para muito romeiro, no frigir dos ovos, o primeiro milagre do Círio será conseguir chegar a Belém sem deixar uma promessa no cartão de crédito.

•O eleitorado quilombola no Pará saltou de 12,6 mil para 23,4 mil entre 2024 e 2026, alta de 85%. Entre os indígenas, passou de 11,1 mil para 17 mil.

• Povos tradicionais ganham peso também nas urnas. E isso, em uma eleição, está longe de ser detalhe estatístico.

• Na quinta-feira, 1º, o jornalista Lucas Contente, do portal Cidade 091, registrou boletim de ocorrência contra o ex-prefeito de Muaná e atual secretário municipal de Gestão e Planejamento, Biri Magalhães, relatando ameaça de agressão durante uma ligação telefônica.

• O episódio ocorreu após a publicação de reportagem sobre o cenário político de Muaná e a atuação do grupo político de Biri.

•No mesmo dia, uma postagem do perfil Segue a Pororoka sobre os candidatos de Lula a deputado estadual do Pará saiu do ar sem explicação pública conhecida.

• Também houve pedido da coligação da candidata Hana Ghassan para impedir previamente a divulgação de um vídeo anunciado pelo influencer David Mafra. A liminar não foi concedida, e o vídeo acabou publicado na sexta-feira, 2.

•Enquanto isso, o perfil oficial do Folha do Pará no Instagram continua fora do ar, também sem explicação pública conhecida, e as postagens estão sendo feitas por uma conta reserva.

• Em eleição, liberdade de expressão não deveria ser um privilégio de quem está ganhando.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.