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PREÇO DA PRESSA

Governo testa pressa no saneamento, mas encontra resistência em reunião relâmpago

Encontro marcada em pleno recesso expõe desgaste na condução do rateio das outorgas e reforça cobrança por diálogo e tempo técnico

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 04/01/2026, 17:00

Encontro começou sob críticas ao método e terminou sem avanço na pauta; proposta de alteração do regimento apresentada pelo governo não prosperou/Fotos: Divulgação.


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assembleia extraordinária da Microrregião de Águas e Esgoto do Pará (MRAE), realizada em 2 de janeiro, confirmou o que já se anunciava desde a convocação em pleno recesso: pressa demais, escuta de menos. A tentativa do governo estadual de avançar com mudanças regimentais e destravar decisões sensíveis, como o rateio das outorgas do saneamento, esbarrou na reação de prefeitos que pediram tempo, clareza e participação efetiva.

O encontro começou sob críticas ao método e terminou sem avanço na pauta. A proposta de alteração do regimento - vista por gestores como estratégica para concentrar decisões - não prosperou. Diante do impasse, a condução foi interrompida e os demais itens ficaram para depois. O recado político foi direto: antes de acelerar, é preciso combinar o passo.

“Pedimos tempo”

As manifestações que circularam em áudio e vídeo deram o tom. O prefeito de Tucuruí, Alexandre Siqueira, do MDB, foi explícito ao afirmar que os municípios não se opõem ao processo em si, mas à forma como ele vem sendo conduzido. Disse que a reunião se tornara improdutiva após duas horas, marcada por desinformação e falta de amarração de responsabilidades, e anunciou que se retiraria para cumprir outro compromisso. “Estamos pedindo tempo”, resumiu.


A prefeita de Canaã dos Carajás, Josemira Gadelha, do mesmo partido, reforçou a crítica ao calendário e ao rito. Lembrou que a reunião foi marcada para 2 de janeiro, com equipes técnicas dispersas e gestores em deslocamento. “Não é boa, gente”, disse, ao defender que todos os prefeitos envolvidos estejam devidamente inteirados antes de qualquer deliberação. Para ela, tudo foi feito “muito às pressas”.

Documentos e método

As queixas convergem: convocação no apagar das luzes, documentos técnicos disponibilizados a poucos dias do encontro e ausência de respostas a ofícios anteriores. Prefeitos relataram dificuldade de análise e falta de diálogo prévio sobre temas complexos, sobretudo a metodologia de rateio das outorgas do saneamento - recursos bilionários que aguardam definição desde os leilões de 2025.

O ambiente reforçou a percepção de centralização e baixa transparência no funcionamento da MRAE. Para os municípios, discutir mudanças regimentais sem antes corrigir o déficit de participação agrava o problema. Não se trata de travar o processo, insistem, mas de garantir escuta real e critérios compreensíveis.

Jogo em aberto

Nos bastidores, há municípios que recorreram ao Judiciário contra a condução do tema, mas o caminho judicial ainda depende de disposição para enfrentar o Executivo. São poucos - três ou cinco, segundo relatos - e o resultado é incerto. O fato é que a reunião não entregou o avanço pretendido e evidenciou o desgaste do método.

O saneamento segue como prioridade declarada, com promessas de universalização e investimentos robustos. O desafio, agora exposto, é político e federativo: sem tempo técnico, sem diálogo e sem confiança, a pressa cobra seu preço. O jogo continua - e os municípios avisaram que não querem ser apenas figurantes.

Papo Reto

O pedido da CPMI do Banco Master alcançou 205 assinaturas para abertura, diz o deputado Carlos Jordy (foto), vice-líder da oposição.

•Ele também já identificou "pressão em tempo integral" do Governo para impedir que as investigações sigam seu curso natural e possam revelar as entranhas de mais um escândalo na República.

Aliás, segundo documento obtido pelo jornal Estadão, o Banco Central comunicou as fraudes milionárias do Master ao Ministério Público Federal que, estranhamente, parece ter comido abiu...

•A resistência do Banco Central às pressões da cúpula governista ao detalhar as escandalosas fraudes do Master, a ponto de não arredar pé da sua liquidação, é digna dos melhores louvores.

Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master, negou qualquer possibilidade de abraçar um acordo de delação premiada pelo simples fato de que teme por sua vida.

•2026 chegou carregando a transição para o novo modelo de alíquotas experimentais da Reforma Tributária, exigindo adaptação das empresas e sistemas fiscais antes da mudança definitiva, em 2027.

Fundação ligada ao PT exige revisão da política de drogas e das PMs, além de uma nova Guarda Nacional.

•Autoproclamando o texto de "uma abordagem democrática, cidadã e antirracista”, o documento exige "mudanças constitucionais, operacionais e institucionais" no País.

Especialistas, no entanto, opinam que as alterações propostas pelo PT carregam mesmo são "enormes riscos" de um equilíbrio federativo, afetando a autonomia dos Estados e das polícias, além de ameaçar a estabilidade institucional do País.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.