Cientistas afirmam que aquecimento global tornou episódio praticamente impossível sem influência humana
Rio de Janeiro, RJ - A Europa registrou mais de 10 mil mortes em excesso durante a onda de calor recorde que atingiu o oeste do continente no fim de junho, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira. Segundo análise do EuroMOMO, monitor europeu de mortalidade apoiado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde, a maior parte das vítimas era formada por idosos com mais de 65 anos, grupo mais vulnerável aos efeitos das temperaturas extremas.
A EuroMOMO acompanha dados de 27 países. De acordo com o monitoramento, as mortes em excesso que ocorreram entre pessoas acima de 65 anos representam cerca de 90% do total. O pico foi registrado entre os dias 22 e 28 de junho, período em que diversos países enfrentaram recordes históricos de temperatura.
França, Espanha, Reino Unido e Bélgica estiveram entre os países mais afetados. Na Bélgica, o excesso de mortalidade durante a onda de calor foi o maior já registrado para esse tipo de evento. Os dados também mostram que, nas semanas anteriores, a mortalidade estava abaixo da média, reforçando que o aumento foi provocado pelo episódio de calor extremo.
No Reino Unido, pesquisas do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene and Tropical Medicine estimaram que mais de 2,7 mil pessoas morreram na Inglaterra e no País de Gales em consequência das ondas de calor registradas entre maio e junho. Segundo os pesquisadores, cerca de 42% dessas mortes podem ser atribuídas ao aumento adicional da temperatura provocado pelas mudanças climáticas.
Os especialistas observam que o calor intenso não costuma matar apenas por insolação. As temperaturas elevadas também agravam doenças cardiovasculares, respiratórias e renais, aumentando o risco de infartos, AVCs e insuficiência respiratória, especialmente entre idosos e pessoas com problemas de saúde preexistentes.
A onda de calor provocou ainda incêndios florestais, interrupções no fornecimento de energia, fechamento de escolas e quebra de recordes de temperatura em diversos países da Europa Ocidental.
Cientistas afirmam que o episódio teria sido "praticamente impossível" sem o aquecimento global causado pela ação humana. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia alertado, na semana passada, que a Europa poderia enfrentar novas semanas de calor intenso e aumento da mortalidade caso as altas temperaturas persistissem.
Foto: AFP
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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