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EUA confirmam aplicação de tarifas a produtos do Brasil com base na Seção 301

Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, afirmou que tarifas são punição por país não ter se curvado às pretensões de Donald Trump

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  • Da Redação | Estadão conteúdo
  • 16/07/26 15:42
EUA confirmam aplicação de tarifas a produtos do Brasil com base na Seção 301

São Paulo, SP - O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou na noite desta quarta-feira, 15, que aplicará tarifas a produtos do Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.


Representantes do USTR sinalizaram que publicarão detalhes e uma lista oficializando os produtos que serão afetados no Federal Register, uma espécie de Diário Oficial, nas próximas horas.


A Seção 301 é um mecanismo que permite ao USTR investigar e retaliar países cujas políticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.


No início de junho, o USTR divulgou a recomendação de sobretaxas a produtos brasileiros com base na Seção 301, acusando o Brasil de adotar práticas ilegais em comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - como o Pix -, tarifas preferenciais, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, como o desmatamento ilegal.


O governo dos EUA também se queixa de benefícios dados pelo Brasil a parceiros comerciais como Índia e México, sem conceder os mesmos termos a produtos americanos, o que cria condições desvantajosas.


Brasil é punido por 'não se curvar' a Trump


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os Estados Unidos aplicaram a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros porque o País não se curvou às pretensões do presidente americano, Donald Trump. Segundo Vieira, durante as negociações, a Casa Branca exigiu a "capitulação" do Brasil.


"O que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações", disse Vieira, em declaração a jornalistas no Palácio do Itamaraty. "Cito como exemplo demandas de abertura total e irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros à economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação."


Vieira também declarou que, desde março de 2025, o governo brasileiro teve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone com representantes da Casa Branca. Somente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o Representante Comercial dos EUA, Jamierson Greer, foram feitos 11 contatos.


O ministro defendeu o Brasil dos temas investigados pela Seção 301 que, segundo ele, foi apenas uma forma encontrada pelo governo americano para driblar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que impedia a aplicação de tarifas de forma unilateral, como a taxa de 50% aplicada sobre o País em julho do ano passado.


Segundo Vieira, as práticas comerciais brasileiras são legítimas e não prejudicam o comércio dos Estados Unidos. "Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade", disse.


"O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo Pix. As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado", declarou.


Vieira convocou jornalistas para anunciar a posição do Brasil após o governo americano ter anunciado, na noite de quarta-feira, 15, a imposição de tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros, com base na investigação da Seção 301.


Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutem duas opções: usar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos e elevar o tom do conflito, ou seguir nas negociações diplomáticas feitas desde o início da investida do presidente americano, Donald Trump, contra o Brasil, em julho de 2025, para tentar desfazer a nova taxação.


Foto: Divulgação/The White House

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.