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Ensino Superior

Enem : estudar mais pode não significar aprender mais, alerta especialista

Na reta final, excesso de horas de preparação pode afetar memória, concentração e rendimento; equilíbrio entre estudo, sono e lazer é fundamental

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  • Da Redação
  • 07/09/26 19:00
Enem : estudar mais pode não significar aprender mais, alerta especialista

São Paulo, SP - Na tentativa de garantir um bom desempenho no Enem , muitos estudantes intensificam a rotina de preparação nas semanas que antecedem a prova. Mas aumentar as horas diante dos livros nem sempre significa aprender mais. Quando o excesso de estudos começa a comprometer o sono, a concentração e a memória, a estratégia pode produzir justamente o efeito contrário ao esperado.


Um estudo publicado na revista científica Current Biology ajuda a explicar os efeitos do esforço mental prolongado. Pesquisadores identificaram um aumento na concentração de glutamato, um neurotransmissor, no córtex pré-frontal lateral após períodos de trabalho cognitivo intenso. A região está envolvida no controle de funções cognitivas, e os resultados ajudam a compreender os mecanismos relacionados à fadiga mental após atividades que exigem esforço prolongado.


“Um dos primeiros sinais de que a rotina deixou de ser produtiva é quando o aluno estuda mais, mas aprende menos. Ele relê o mesmo conteúdo várias vezes, esquece o que acabou de estudar, perde a concentração e começa a demonstrar irritação ou desmotivação. Nesse momento, é preciso rever a rotina, e não simplesmente aumentar as horas de estudo”, afirma Rafael Galvão,  Diretor Pedagógico  do Ensino Médio da Rede Alfacem Global Academy. 


Para quem precisa conciliar escola e preparação para o exame, a recomendação é começar pelo planejamento da vida real. Horário das aulas, deslocamento, alimentação, sono, atividades físicas e compromissos familiares devem entrar na conta antes de definir quanto tempo será destinado aos estudos. Metas possíveis, blocos de concentração, pequenas pausas e revisões periódicas tendem a ser mais eficientes do que longas jornadas sem intervalo.


Nesse processo, desenvolver autonomia também pode ajudar o estudante a identificar quais estratégias funcionam melhor para o próprio aprendizado. Na prática, isso significa observar o próprio rendimento, perceber quando a concentração começa a cair e adaptar a rotina, em vez de seguir aumentando o número de horas de estudo. “Aprender a Aprender”.

“O estudante precisa entender que não existe uma única forma de aprender ou uma quantidade de horas que funcione da mesma maneira para todos. É importante que ele consiga perceber quando está realmente assimilando o conteúdo e quando está apenas cumprindo uma quantidade de horas. Essa percepção ajuda a construir uma rotina mais eficiente e sustentável”, explica Galvão.


Outro ponto que costuma ser negligenciado é o sono. Ao dormir, o cérebro organiza informações e consolida memórias. Por isso, trocar horas de descanso por estudos pode prejudicar justamente habilidades importantes para o Enem, como atenção, raciocínio e capacidade de retenção.


“Dormir não é interromper os estudos; é parte deles. Um cérebro descansado consegue processar melhor as informações e recuperar a capacidade de concentração. O estudante precisa entender que descanso, atividade física e lazer não competem com a preparação: ajudam a sustentá-la”, explica o diretor.


A pressão também pode afetar a relação do estudante com a preparação. Pais e educadores podem contribuir ao acompanhar o processo, valorizar a evolução e ajudar o jovem a construir uma rotina possível de manter, em vez de concentrar a cobrança apenas nos resultados. O excesso de pressão pode alimentar ansiedade, medo de errar e a sensação permanente de que nunca é suficiente.


Alguns hábitos simples também podem aumentar o aproveitamento sem exigir mais horas de preparação, como deixar o celular longe durante os estudos, organizar o material antes de começar, estabelecer uma meta para cada sessão e revisar os conteúdos regularmente.


Na reta final, a preparação para o Enem não precisa ocupar todo o dia. Mais importante do que estudar até a exaustão é chegar à prova com conhecimento, concentração e energia para colocá-los em prática.


Foto: Freepik

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.