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ELEIÇÕES 2026

Em sucessão vigiada, Helder sai do cargo, mas não do comando do governo do Pará

Transição para Hana Ghassan será limitada, negociada e moldada sob o olhar de 2026.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 16/01/26 08:00
Em sucessão vigiada, Helder sai do cargo, mas não do comando do governo do Pará
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lgumas trocas – ou possíveis trocas, em se tratando de eleição – costumam dizer mais do que discursos. Nos bastidores palacianos, as recentes mexidas na Secretaria de Saúde são interpretadas como um sinal claro do que virá com a saída de Helder Barbalho do cargo de governador, prevista para abril. Publicamente, o governador fala em liberdade de gestão para Hana Ghassan; no privado, contudo, o recado seria outro: há nomes intocáveis.

Comenta-se que o governador já elegeu os “intocáveis”; Hana manterá Kayath e Adler, fazendo apenas mudanças pontuais/Fotos: Divulgação.

O núcleo blindado

Até o momento, Helder teria imposto a manutenção de cinco nomes estratégicos: Luiziel Guedes, Casa Civil; Ualame Machado, Saúde; Ricardo Sefer, Educação; Renê Júnior, Fazenda; e Renata Coelho, Detran. A leitura interna é que esse núcleo garante controle político e administrativo no pós-saída.

Espaço próprio

Hana mantém Carlos Kayath na Chefia do Gabinete da Governadoria e Adler Silveira na Secretaria de Infraestrutura. A principal mudança ocorre na Secretaria de Planejamento e Administração, com a saída de Ivaldo Ledo e a entrada de Marcos Rodrigues Matos, atual titular das Finanças de Belém. As demais posições, segundo relatos de bastidores, serão moeda de troca em acordos mirando diretamente as eleições.

Medo da implosão

No MDB, prevalece a avaliação de que Helder não entregará o tabuleiro por completo. Interlocutores avaliam que o ímpeto reformista atribuído a Hana poderia levar a uma substituição quase total do secretariado - cenário visto como alto risco de implosão interna.

A comparação com Helder surge naturalmente: apesar do perfil duro, o governador já demonstrou capacidade de recuo, como no episódio envolvendo a Secretaria de Educação e comunidades indígenas. No núcleo político, há dúvidas se a sucessora teria o mesmo jogo de cintura.

Eleições ditam ritmo

Com o horizonte eleitoral se aproximando, o MDB monitora três nomes considerados sensíveis: Daniel Santos, Éder Mauro e Celso Sabino. Com os dois primeiros, o diálogo é tratado como inexistente. Com Sabino, ainda há conversa - embora marcada por desconfiança.

Sabino e o próprio jogo

Celso Sabino concentra esforços na segunda vaga ao Senado. Recusou a vice e busca um partido para chamar de seu. Nos bastidores, especula-se que teria garantido espaço no Republicanos – ou seria no PDT? - e, paralelamente, articula assumir o comando do PSDB no Pará, hoje na base do governo.

A frase atribuída a Helder - “antes de gritar candidatura, arrume uma casa” - foi incorporada por Celso Sabino, que tenta pavimentar o caminho também para lançar a esposa, Erika Sabino, à Câmara Federal.

Resta uma dúvida

Aos mais próximos, Sabino confidencia uma preocupação central: até quando Hana Ghassan e seu entorno seguirão as orientações de Helder Barbalho? É essa resposta - ainda em aberto - que pode definir não apenas a transição, mas o desenho final das eleições de 2026. 

Está escrito nos bastidores.

No Pará, direita tenta
fechar chapa antes do
da folia do momo

Costuma-se dizer que o ano político só começa depois do carnaval. Nos bastidores da direita paraense, porém, o cálculo é inverso: a intenção é definir os principais nomes para 2026 antes da folia, antecipando decisões que, em outros ciclos, ficavam para depois da Quarta-Feira de Cinzas.

Lideranças do campo conservador intensificaram conversas reservadas nas últimas semanas com o objetivo de reorganizar alianças e dar unidade ao grupo. Um ponto tratado como superado é o afastamento do projeto político do prefeito Daniel Santos, que deixou de ser referência na construção da chapa.

No novo desenho em discussão, o nome do ex-senador Mário Couto aparece como opção para a disputa ao governo do Estado, com possibilidade de composição com um quadro do Partido Novo na vice. A leitura interna é de que a chapa precisa combinar experiência política com discurso de renovação para dialogar com o eleitorado.

Disputa ao Senado

No Senado, a principal disputa gira em torno da vaga do PL, considerada estratégica dentro do campo conservador. É nesse espaço que aparecem os nomes competitivos: o deputado federal Éder Mauro, já testado nas urnas e com recall consolidado, e o deputado estadual Rogério Barra, que vem sendo trabalhado nos bastidores como alternativa em ascensão, caso Éder Mauro opte pela disputa por mais um mandato de deputado federal. Os deputados federais Delegado Caveira e Joaquim Passarinho sinalizam que tentarão a reeleição na Câmara Federal. 

A definição desse nome é vista como decisiva para a capacidade de mobilização do eleitorado de direita. A segunda vaga ao Senado aparece como movimento complementar. Nesse cenário, o outro candidato a senador é Zequinha Marinho, do Podemos.

A pressa tem motivo. A avaliação é que empurrar definições para depois da folia do momo aumenta o risco de dispersão e abre espaço para movimentos paralelos. Por isso, a expectativa é de que, ainda no primeiro trimestre, o campo da direita apresente um desenho mais claro ao eleitorado - contrariando o velho ditado que costuma adiar o início do jogo político.

Papo Reto

O que se diz é que o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (foto), teria recorrido ao senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em busca de apoio político.

•A aproximação com Alcolumbre tem origem em disputas regionais mais amplas: o senador do Amapá rompeu politicamente com o governador Helder Barbalho, que levou Antônio Furlan para o MDB e criou um possível concorrente para Alcolumbre.

Ao final e ao cabo, a lógica passou a ser de compensação política: se Helder avançou no Amapá, Alcolumbre vem buscar o contraponto no Pará.

•Na soma dos bastidores, Daniel Santos entrou no radar de Alcolumbre, já tendo apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin. 

Desde ontem, pacientes do Hospital Ophir Loyola já utilizam a nova Unidade de Atendimento Imediato – a UAI -, com 19 novos leitos, exclusiva para pacientes graves do SUS.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.