Desmonte do GSI levanta suspeitas sobre interferência na Justiça do Pará Manifesto escancara racha no PT do Pará e isola o comando do senador Beto Faro Projeto de estaleiro chinês em Bragança escancara impasse histórico da pesca
MP SOB TENSÃO

Desmonte do GSI levanta suspeitas sobre interferência na Justiça do Pará

Troca no comando do grupo que investigava corrupção reacende debate sobre autonomia do Ministério Público e influência do Executivo no Judiciário paraense.

  • 602 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 25/01/26 11:00
Desmonte do GSI levanta suspeitas sobre interferência na Justiça do Pará
A


exoneração coletiva do comando e da equipe do Grupo de Atuação Especial de Inteligência e Segurança Institucional (GSI) marcou mais do que uma simples reorganização administrativa no Ministério Público do Pará. O episódio passou a ser interpretado, dentro e fora da instituição, como um sinal claro de que investigações sensíveis encontraram um limite político.

 

Mexida atingiu os promotores Erika Menezes, Muller Siqueira, Carlos Alberto Fonseca e Nayara Vidal; Arnaldo Célio da Costa Azevedo assume GSI/Fotos: Divulgação.

A Portaria nº 0099/2026-MP/PGJ, assinada pelo procurador-geral Alexandre Tourinho, retirou do GSI a promotora Erika Menezes de Oliveira e os promotores Muller Marques Siqueira, Carlos Alberto Fonseca Lopes e Nayara Vidal - grupo que conduzia apurações de alto impacto, envolvendo corrupção no sistema de Justiça estadual e agentes públicos com peso político.

 As investigações ganharam projeção nacional após reportagem exibida pelo “Fantástico”, da Rede Globo, no início deste ano, colocando o Pará no centro de um constrangimento institucional raro.

Leia logo mais:
CRISE ANUNCIADA
UFPA troca vocação acadêmica
por palanque político e
quebra no lado fraco
Nota 1 no curso de Medicina de Altamira expõe abandono dos campi do interior e uma universidade mais ocupada com agendas políticas do que com ensino, pesquisa e extensão.

Investigação e reação

Nos bastidores do Ministério Público, a leitura predominante é de que o GSI avançou sobre uma zona considerada intocável. A equipe havia provocado o STF e o CNJ em casos que envolviam o desembargador Alex Centeno, primo do governador Helder Barbalho, nomeado ao Tribunal de Justiça pelo quinto constitucional em um processo cercado de questionamentos.

A reação veio em bloco: exoneração da coordenação, esvaziamento da equipe e mudança completa no comando de um dos setores mais estratégicos da instituição.

O comando e as conexões

A nomeação do novo coordenador do GSI adicionou mais combustível à crise. Assumiu o posto o promotor Arnaldo Célio da Costa Azevedo, marido da desembargadora Luana Santalices, que tomou posse no TJ no mesmo período de Alex Centeno.

Arnaldo também é visto como alinhado à atual e à antiga cúpula do Ministério Público, incluindo o ex-procurador-geral César Mattar, hoje desembargador - outro nome cuja ascensão ao Judiciário teve respaldo político explícito.

O simbolismo do arranjo não passou despercebido: um grupo que investigava o sistema de Justiça foi substituído por uma configuração institucionalmente mais confortável ao próprio sistema.

Silêncio que comunica

A Procuradoria-Geral de Justiça optou pelo silêncio após a repercussão do caso. Não houve coletiva, nota técnica detalhada ou esclarecimento público capaz de afastar a leitura de interferência política. Internamente, promotores relatam apreensão. O entendimento é de que o episódio produz um efeito inibidor: investigar autoridades com trânsito político pode ter custo funcional.

Captura institucional

O caso reacende um debate histórico no Pará: até onde vai, na prática, a independência entre os poderes quando laços políticos, familiares e institucionais se sobrepõem? 

Mais do que um conflito administrativo, o desmonte do GSI expôs uma engrenagem sensível do sistema de Justiça estadual e deixou uma mensagem incômoda: há investigações possíveis - e outras que esbarram em limites não escritos. O desgaste institucional já está instalado e seus efeitos tendem a durar mais do que qualquer portaria.

Papo Reto

A carta aberta de Charles Alcântara (foto) a Ana Júlia escancara o racha no PT do Pará. Militante histórico, ex-Casa Civil e hoje no comando do Sindifisco, Alcântara vocaliza o incômodo da base com a condução partidária sob Beto Faro.

• Nos bastidores do PT paraense, cresce a descrença de que o partido fique com a vice na chapa de Hana Ghassan. Militância orgânica já dá como perdido o espaço, repetindo um roteiro conhecido de promessas não cumpridas.

Entre petistas de base, a leitura é amarga: Ana Júlia, Dirceu Ten Caten e outros teriam caído no “conto do vigário”. Beto Faro é apontado como operador de um projeto familiar, não partidário. O desgaste é interno - e profundo.

•Nota 1 no curso de Medicina de Altamira não caiu do céu. É o retrato de uma UFPA mais preocupada com agenda política, selfies institucionais e palanque climático do que com sala de aula, laboratório e campus no interior. A conta sempre estoura no lado mais fraco.

Enquanto a Reitoria desfila em agendas de prestígio, o interior amarga abandono. A nota 1 em Medicina, em Altamira, não é acidente: é consequência. Multicampi no discurso, centralizada na prática.

•A UFPA virou vitrine política e esqueceu o básico. A nota 1 em Medicina, no campus de Altamira, expôs o que docentes e alunos denunciam há anos: abandono do interior, gestão concentrada e crise empurrada para debaixo do tapete.

A crise não é surpresa - é método. A Reitoria só reage quando a vergonha vira manchete. A nota 1 em Medicina, em Altamira, mostra que a universidade quebra quando prefere palanque ao ensino.

•Aliás, o governo federal decidiu que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica será a avaliação de proficiência para médicos; só falta combinar com os "russos" do Congresso Nacional.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.