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GREGOS E TROIANOS

Daniel Santos volta a desagradar bolsonaristas ao pedir “fim do discurso ideológico”

Em evento que participou ao lado da ex-petista Lívia Noronha, Dr. Daniel disse, ainda, que não concorda com a busca de impeachment contra Alexandre de Moraes

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 01/07/26 09:00
Daniel Santos volta a desagradar bolsonaristas ao pedir “fim do discurso ideológico”
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gradar a gregos e troianos” é uma expressão tão antiga quanto a própria origem desses povos e faz referência a usar de j'ogo de cintura' e estratégias diversas para captar simpatia e aceitação entre diferentes grupos e classes de pessoas. É ser aceito por todos. Nada que, apesar de secular, deixe de soar natural nos dias de hoje. Principalmente quando se trata de período pré-eleitoral.


Em evento que participou ao lado da ex-petista e atual candidata ao Senado pelo Solidariedade, Lívia Noronha, o candidato do Podemos ao governo do Pará, Daniel Santos, esqueceu que dividiu, há poucos dias, o mesmo palanque com Flávio Bolsonaro e voltou a moderar o discurso da turma da direita numa clara tentativa de “agradar a gregos e troianos”.


No vídeo a que teve acesso a Coluna Olavo Dutra, Daniel Santos se posiciona contra o movimento bolsonarista que tenta aprovar o impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes. “A gente anda, em alguns locais do Estado, e o discurso ideológico é ‘tem que tirar o ministro do STF, tem que tirar não sei qual senador’. O que é que isso, efetivamente, melhorou a vida da pessoa? O que isso melhorou a escola do filho dela? A estrada que ela usa?”.


Novas reaçoes internas


A fala teve reação imediata de alguns políticos da direita, que cobram de Dr. Daniel um posicionamento mais alinhado com o discurso ideológico que sustenta a direita e que tenta dar fôlego à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado. Dias antes, num vídeo em que gravou ao lado de Lívia e do ex-deputado federal Jordy, Daniel já mostrava certo embaraço quando ambos não só convidaram os simpatizantes para um evento quanto pediram, abertamente, votos para a reeleição do presidente Lula.


A quem interessa o discurso distópico que afaga direita e esquerda de Daniel Santos?/Foto: Divulgação


A reação de alguns políticos da direita, que insistem em recusar a aliança com Dr. Daniel, foi imediato. “Meu apoio está condicionado, para apoiar o Dr. Daniel, a que ele declare apoio ao candidato (à presidência) Flávio Bolsonaro”, esbravejou, na Sessão da Câmara Municipal de Belém, o vereador Mayke Vilaça. “Quem fica em cima do muro sempre cai pro lado esquerdo”, emendou Vilaça.


Discurso de paz e amor


O eufemismo usado pelo pré-candidato Daniel Santos com o intuito de minimizar qualquer possível estrago em sua caminhada é o de que ele pretende criar uma “frente ampla” em favor do Pará. Nessa teoria, qualquer um que queira apoiar sua candidatura é bem vindo, o que coloca muitas alianças em risco “A gente tem que sair um pouco desse discurso ideológico e fazer uma alinhamento por pauta”, afirmou Daniel.


O problema é que esse discurso “paz e amor” não é bem o que querem os bolsonaristas nesse momento. Se intenção de Daniel Santos é realmente contar com o apoio da direita no Pará, vai precisar abraçar, ainda que em parte, o radicalismo que faz do movimento uma de suas maiores referências. Essa é, inclusive, uma das próprias origens da polarização política que hoje domina o país.


Tirando o discurso do vereador Mayke Vilaça na Câmara de Belém, nenhum outro político de direita se manifestou sobre o assunto até agora. Nem mesmo Éder Mauro, pré-candidato ao Senado e, pela amizade que possui com o pai, Jair Bolsonaro, um dos principais apoiadores da campanha de Flávio Bolsonaro à presidência da República, disse qualquer coisa. Saber até quando esse silêncio vai ecoar é que são outros quinhentos.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.