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DE MAL A PIOR

Conta d’água sobe mesmo sem consumo e pressão aumenta sobre concessionária

Faturamento por estimativa, falhas operacionais e atendimento travado puxam pedidos de apuração contra Águas do Pará.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 09/04/26 11:00
Conta d’água sobe mesmo sem consumo e pressão aumenta sobre concessionária
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rotina de moradores de Belém e da Região Metropolitana passou a incluir um novo item fixo: a contestação de contas de água. Relatos encaminhados à coluna apontam um padrão que se repete - cobranças por estimativa em imóveis sem consumo ativo, valores considerados acima do histórico e dificuldade para revisão das faturas.

 

Total das cobranças chega a milhares de reais, mesmo sem uso, mas empresa garante que trabalha na melhoria dos serviços/Fotos: Divulgação.

Em um dos casos, unidades ainda fechadas foram tarifadas por meses antes da instalação de hidrômetros. A soma das cobranças chegou a milhares de reais, mesmo sem uso. Quando o medidor passou a operar, as contas recuaram para patamares de R$ 50 a R$ 60, reforçando a suspeita de distorção no período estimado. Em outras unidades, também sem consumo, persistem boletos mensais na casa dos R$ 200.

Sem medidor, com conta

O ponto de atrito é o faturamento por estimativa - mecanismo previsto para situações excepcionais, como ausência temporária de leitura. Consumidores ouvidos afirmam que a prática tem sido aplicada de forma prolongada, sem base técnica clara e sem comunicação adequada sobre critérios de cálculo.

A percepção recorrente é de inversão: onde não há consumo, a conta é alta; onde há medição regular, o valor cai. A divergência alimenta pedidos de revisão e devolução de valores.

Atendimento em loop

Outro gargalo é o atendimento. Usuários descrevem dificuldade para resolver demandas nos canais digitais e baixa efetividade no presencial. Protocolos se acumulam sem resposta conclusiva, e a contestação de faturas vira um processo demorado.

Condomínios relatam limitações operacionais para negociação e padronização de procedimentos que não consideram especificidades das unidades. A sensação é de “porta giratória”: o cliente retorna ao ponto inicial após cada tentativa.

 Até a capital na mira

As reclamações deixaram de ser pontuais no interior e ganharam volume na capital. Em bairros centrais e periféricos, moradores relatam piora na regularidade do abastecimento, aumento de tarifas e inconsistências no serviço.

Paralelamente, crescem os relatos de falhas no escoamento e de inexistência prática de rede de esgoto em trechos urbanos. O resultado aparece nos dias de chuva: alagamentos mais frequentes em áreas onde não eram rotina, segundo moradores.

Contrato e execução

A concessão dos serviços de água e esgoto no Estado, herdada da antiga operação da companhia estadual, previa metas de universalização e cronogramas de investimento. Especialistas ouvidos pela coluna apontam que, nessa fase inicial, a qualidade da transição - cadastro, medição, leitura e comunicação com o usuário - é determinante para evitar distorções no faturamento. Sem isso, o risco é duplo: erosão da confiança do consumidor e judicialização em massa.

Pedido de apuração

Diante da repetição dos casos, cresce a cobrança por atuação do Ministério Público do Pará, da Defensoria Pública e da agência reguladora estadual, para verificar práticas de faturamento, critérios de estimativa, prazos de instalação de hidrômetros e qualidade do atendimento.

A apuração pode alcançar também a aderência da concessionária às metas contratuais e aos indicadores de desempenho previstos para o início da operação.

O que diz a empresa

Procurada, a Águas do Pará informou que o faturamento por estimativa é utilizado quando há impossibilidade de leitura e segue normas regulatórias, sendo ajustado após a medição efetiva. A concessionária afirmou ainda que mantém canais de atendimento para revisão de contas e que está ampliando a instalação de hidrômetros e equipes de campo.

Sobre as queixas na capital, a empresa declarou que executa um plano de melhorias operacionais e expansão de redes, com investimentos previstos ao longo do contrato.

A verdade é que, entre a regra e a exceção, a conta precisa fechar. Sem transparência no cálculo e resposta ágil ao consumidor, a estimativa vira conflito - e o serviço, alvo. A régua agora é simples: medir, cobrar certo e resolver rápido. Caso contrário, a fatura maior tende a chegar fora do boleto.

Papo Reto

Uma sessão da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados, em Brasília, terminou em tumulto, ontem.

•O episódio ocorreu durante a fala da deputada Erika Hilton, do Psol, em meio a um ambiente já tensionado por provocações no plenário.

Um manifestante, presente na sessão, passou a ofender a deputada Clarissa Tércio, do PP, chamando-a de “feia” e “horrorosa”. Diante da situação, o deputado federal Éder Mauro (foto) reagiu.

•Tomou as dores da parlamentar e deu um tapa no celular do manifestante, interrompendo a gravação. Com o agravamento do tumulto, a sessão foi interrompida. 

•O Estado acabou de confessar que fez menos de 50 concursos, com a nomeação de 17 mil servidores nos sete anos do atual governo. O número bem maior foi o de aprovados em mais de 500 PSS.

•Belém continua sendo a cidade do “já teve”. Nesta semana, foi anunciado que mais duas lojas tradicionais na capital estão abandonando as atividades. 

A loja de roupas femininas, KattLeya Pátio Belém fechará as portas após 36 anos, ficando apenas com a loja do Shopping Bosque Grão-Pará. 

•A outra, a tradicional Casa Salomão, na avenida Magalhães Barata, ainda não fechou as portas, mas informou que as vendas, agora, são somente pela internet, deixando de lado o atendimento presencial ao público.

Uma comissão dos EUA acusou Alexandre de Moraes de censura à liberdade de expressão. O relatório diz, inclusive, que certas decisões do ministro têm poder de interferir nas eleições de outubro.

•Angustiado com os números do degelo de sua popularidade, Lula exige que o Congresso "aprove já" a tal PEC da Segurança Pública, tida por ele como "primordial para combater o crime organizado", porém, "incombinável" com a maioria dos governadores, que enxergam na proposta perda de competências constitucionais.

•Já se sabe o tamanho da conta que União e Estados farão para tentar frear a alta do preço do diesel: R$4 bilhões.

•O acordo emergencial garante subvenção ao diesel no valor de R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,60 custeados pela União e R$ 0,60 pelos Estados.

A pulga atrás da orelha do consumidor é “quantum” desse sacrifício fiscal, pois quem acabará pagando é o próprio contribuinte.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.