Não será exatamente uma surpresa, mas tampouco deixa de ser constrangedor: em 2026, o carnaval de Belém repete o enredo dos últimos anos - fora do tempo, fora do clima e fora do radar popular.
“Agoniza, mas não morre”, diria Nelson Sargento: carnaval de Belém até que recebeu apoio da prefeitura, mas será realizado na Quaresma/Fotos: Divulgação.
ficialmente promovido, administrativamente organizado, politicamente correto. Culturalmente? Esvaziado. O poder público até faz questão de mostrar serviço. Publica edital, anuncia datas, fala em reajuste histórico e divulga números. Tudo muito certinho. O problema é que carnaval não se faz apenas com planilhas. Faz-se com tempo, rua, povo e desejo coletivo. E isso Belém parece ter perdido - ou deixado escapar.
Não por acaso, o samba “Agoniza, mas não morre”, de Nelson Sargento, voltou a circular como metáfora perfeita para o carnaval paraense. A lembrança veio pelas mãos - e pelo desabafo - de Luiz Omar Pinheiro, presidente da escola Quem São Eles, campeã do último carnaval, após a prefeitura publicar o edital de apoio aos desfiles.
O problema, segundo ele, não está no edital em si, mas no tempo exíguo, na desorganização crônica e, sobretudo, na decisão política de empurrar o desfile das escolas para depois do carnaval oficial. Um detalhe? Não. Um tiro no pé.
O carnaval de Belém, que já foi tratado como o terceiro melhor do Brasil, hoje desfila em plena Quaresma. Não é força de expressão: os Grupos Especiais entram na avenida nos dias 27 e 28 de fevereiro, com resultado no dia 1º de março - quando o País já guardou a fantasia, voltou ao trabalho e virou a página.
O efeito é previsível: arquibancadas vazias, transmissão fria, impacto zero. O desfile acontece, mas ninguém está mais ali - nem de corpo, nem de espírito.
Enquanto Belém empurra sua folia para depois, o interior do Pará faz exatamente o contrário. Vigia, Curuçá, Cametá, Óbidos, Tucuruí e tantas outras cidades transformaram o carnaval em evento turístico, popular e desejado.
O belenense, diante disso, faz o óbvio: pega a estrada. O carnaval vira pretexto para sair da capital - e não para ocupá-la. A Aldeia Cabana, apesar de fixa, virou ilha cercada de indiferença por todos os lados.
A crítica mais dura - e mais precisa - vem do próprio mundo do samba: o carnaval de Belém estaria sendo mantido apenas para cumprir tabela. Para que ninguém diga que a prefeitura não promoveu. Para constar no calendário. Para fechar relatório.
O edital 001/2026 até traz um reajuste superior a 6% após uma década de congelamento. Serão cerca de R$ 2 milhões distribuídos entre escolas e blocos. O anúncio é correto. O discurso também, mas o erro está no projeto.
Se a situação das escolas já é delicada, a dos blocos beira o abandono. O Circuito Mangueirosa - responsável por devolver público e alegria às ruas no período oficial - não acontecerá este ano - sem patrocínio, sem apoio suficiente, sem parceiros. O resultado é simbólico e devastador: Belém ficará sem carnaval de rua estruturado, justo aquele que dialogava com o presente, com a música local e com quem ficava na cidade.
O mais amargo é perceber que o carnaval paraense não morreu por falta de cultura, artistas ou público. Morre aos poucos por decisão política mal calibrada, por burocracia sem sensibilidade e por uma lógica que acha que tradição se sustenta sozinha.
Enquanto grandes empresas que exploram riquezas no Pará seguem ausentes, recursos públicos bancam carnavais milionários fora do Estado. Aqui, o samba agoniza - não por falta de socorro, mas porque o socorro chega sempre atrasado. E carnaval, como se sabe, não espera.

•Circula nas redes sociais um surpreendente convite de aniversário da vice-governadora Hana Ghassan (foto), previsto para amanhã, na Aldeia Cabana.
•O convite leva a assinatura da chefe de Gabinete da vice-governadora, Shirley Araújo, e selo do governo do Estado.
•Hana aniversaria hoje, mas, amanhã, a festa é popular, com oferta de serviços médicos em diversas especialidades, sem medo de ser feliz em ano eleitoral.
•Leitor da coluna observa que Belém está com algumas ruas “guaribadas”, como o final da rua Padre Eutíquio, onde a sinalização de faixas e o asfalto aparecem completamente mal remendados.
•Se o tombamento do Cemitério de Santa Isabel demorar mais um ano, não haverá mais nada para tombar.
• Os ladrões estão retirando as portas de metais e destruindo os mausoléus para furtar mármore.
•A revenda de drogas apreendidas é prática antiga nas polícias civil e militar do País. A recente operação do Gaeco identificou apenas alguns vendedores, que ostentam riqueza incompatível com os vencimentos.
•O Uber Green começa a operar no Brasil com a proposta de tornar as viagens urbanas mais limpas, usando veículos 100% elétricos e reduzindo emissões no transporte por aplicativo.
•A novidade promete mudar a experiência de corrida para quem busca mobilidade sustentável sem abrir mão de conveniência.
•Lula sancionou o Orçamento 2026 com vetos, emendas e foco em programas sociais.
• O Ministério da Educação entabula pesquisa sobre a concentração e convivência dos alunos no ambiente um ano depois das restrições ao uso de celular nas escolas.
•A Confederação Nacional da Indústria avisou que acionará o STF contra trechos da lei que reduz incentivos fiscais.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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