Plano de Ação Climática entregue há um ano à prefeitura só começou a sair da gaveta após cobranças públicas
nquanto Belém se apresentava ao mundo como vitrine das políticas ambientais, um dos principais instrumentos de planejamento climático da capital permaneceu praticamente esquecido dentro da própria prefeitura. Há exatamente um ano, em meio aos preparativos para a COP30, a administração municipal recebeu o Plano Local de Ação Climática, o Plac, elaborado ao longo de 18 meses pela rede internacional Governos Locais pela Sustentabilidade, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do governo da Alemanha. O documento reúne diagnósticos e propostas para preparar a cidade diante dos efeitos das mudanças climáticas. Apesar disso, o plano acabou engavetado.

Ainda assim, o chamado Plac seguiu dormindo em berço esplêndido ao longo dos últimos seis meses, quando a chamada imprensa alternativa resolveu cutucar e despertar a prefeitura para o que se anuncia como um poderoso efeito dominó global – a variação de temperatura que acontece no oceano a mais de 5 mil quilômetros de distância, mas capaz de secar rios e ditar o calor nas ruas de Belém e na Amazônia chamado El Niño.
Ocorre que plano climático não foi feito para ornamentar prateleiras nem para ilustrar cerimônias. Serve para orientar decisões antes que a emergência bata à porta. Quando o calor chega primeiro que o planejamento, quem paga a conta é a cidade. E árvore plantada hoje faz sombra para o prefeito seguinte, não para o atual.
Somente na última terça-feira, 8, após sucessivas cobranças, a prefeitura reuniu representantes de 35 órgãos municipais para anunciar a elaboração do Plano Municipal de Enfrentamento ao Super El Niño e do Protocolo de Alerta para Calor Extremo.
A iniciativa ocorre quando julho já avança e os principais centros de monitoramento climático trabalham com elevada probabilidade de permanência do fenômeno El Niño em intensidade forte ou muito forte.
Segundo a própria prefeitura, o planejamento considera projeções que indicam redução das chuvas, aumento das temperaturas, queda da umidade do solo e maior risco de queimadas e incêndios na Amazônia.
Os efeitos do fenômeno já começaram a ser discutidos por instituições de pesquisa e órgãos meteorológicos, enquanto o município ainda inicia a fase de organização administrativa das medidas que pretende adotar.
Entre as ações anunciadas aparecem ampliação da arborização urbana, implantação de microflorestas, corredores verdes, jardins de chuva, biovaletas, bacias de infiltração, áreas de sombra, pontos de hidratação e protocolos específicos para crianças, idosos, gestantes, trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de vulnerabilidade. Boa parte dessas iniciativas integra justamente políticas permanentes de adaptação climática previstas em planos urbanos de longo prazo.
A arborização voltou ao centro do discurso oficial. A prefeitura reafirma o compromisso de ampliar a cobertura vegetal da cidade e voltou a mencionar metas de plantio em larga escala. O tema, porém, desperta cautela.
Em 2008, o governo Ana Júlia Carepa lançou, com grande divulgação, a promessa de plantar um milhão de árvores por meio de convênio entre as secretarias estaduais de Educação e Meio Ambiente. O projeto previa envolver escolas públicas no cultivo de espécies nativas, recebeu recursos públicos e teve a vigência prorrogada, mas jamais alcançou a meta anunciada.
Agora, além do programa Belém Mais Verde, que informa ter ultrapassado 30 mil mudas plantadas, a Prefeitura aposta no Plano de Arborização desenvolvido em parceria com o Governo do Estado e o BNDES, cuja meta é chegar a 200 mil árvores.
Também lançou o programa “Plante Aqui”, permitindo que moradores solicitem gratuitamente o plantio de mudas em frente às residências e em áreas públicas. A expectativa, segundo a administração municipal, é plantar cerca de cinco mil mudas até o final de 2026.
O episódio revela um contraste. Belém já possuía um plano climático elaborado com apoio internacional antes mesmo da realização da COP30. Ainda assim, somente agora, diante da perspectiva de um novo ciclo de calor extremo, o município acelera a construção de protocolos específicos para enfrentar seus efeitos.
A diferença entre planejamento e reação poderá ser medida nos próximos meses, quando o fenômeno climático começar a produzir impactos mais intensos sobre uma cidade que continua enfrentando baixa cobertura vegetal, ilhas de calor e crescente impermeabilização do solo.

•O tucanato subiu o muro: o poder de influência do PSDB cresceu tanto no Brasil nos últimos anos que seu líder maior, Aécio Neves (foto), optou por pedir para ser "incluído fora da lista dos presidenciáveis".
•O desaparecimento de móveis, quadros, pratarias, imagens sacras e outros bens históricos do Palácio das Mangabeiras, sede do governo mineiro, virou caso nacional.
•O patrimônio público costuma atravessar governos; quando desaparece, a responsabilidade também não deveria prescrever na memória.
•Finalmente, a Câmara Federal aprovou o projeto que altera a Lei do Saneamento Básico, proibindo a cobrança de tarifa mínima de consumo sobre água e esgoto.
•Está proibida pela Agência Nacional de Aviação Civil a cobrança para que menores de 16 anos viajem ao lado de responsáveis em voos.
•A nova norma prevê, inclusive, aplicação de multas às empresas que descumprirem a determinação.
•Ano pré-eleitoral costuma transformar investigações em fator de risco político. As desistências dos ex-governadores Cláudio Castro, no Rio, e Ibaneis Rocha, no Distrito Federal, das disputas ao Senado mostram que, culpados ou inocentes, processos e operações produzem efeitos imediatos. No Brasil, muitas vezes a sentença política chega bem antes da judicial.
•Especialistas em inteligência financeira ouvidos pela coluna alertam que organizações criminosas vêm recorrendo cada vez mais a ativos digitais para dificultar o rastreamento de recursos ilícitos. A tecnologia não cria o crime, mas acrescenta novas camadas de complexidade ao trabalho de investigação.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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