Mestre Ciro, dono de olaria de peças utilitárias em Icoaraci afirma que procura por filtros em Belém cresceu cerca de 100% nos últimos meses.
Seja pelo preço nas alturas ou mesmo pela qualidade - às vezes - discutível, a água mineral, raramente mineralizada, vem perdendo espaço para o filtro de barro, considerado uma das maiores invenções brasileiras desde 1910. Embora não se tenha números que comprovem esse movimento, sabe-se que a significativa fração da população vem redescobrindo o valor dessa ferramenta secular de purificação.
Que o diga mestre Ciro, dono da olaria de peças utilitárias de barro mais antiga de Icoaraci: "A procura por filtros cresceu cerca de 100% nos últimos meses", atesta. O preço dos demais sistemas de purificação, nunca abaixo de R$ 400, é outro fator a influenciar a redescoberta do filtro de barro, que custa em torno de R$ 120.
Além de custar bem menos, estudos recentes comprovam que o filtro de barro deixa a água menos ácida, além de remover 100% de coliformes fecais e 95% do cloro obrigatoriamente presente em águas oriundas de sistema público. Ele é o único filtro com classificação P-I recebida do Inmetro, o que significa que é capaz de reter partículas de 0,5 a 1 mícron, enquanto outros modelos só retêm partículas acima de 15 mícrons.
Outro fator que o consumidor passou a considerar foi que a água filtrada e armazenada em recipiente de barro não sofre contaminação por partículas de policarbonato, liberadas no caso dos garrafões de água mineral, por ação do calor sobre o vasilhame de plástico.
Ninguém nega, portanto, que o filtro de barro se transformou em um poderoso aliado na prevenção das doenças do sistema gastrointestinal.
Gravidade, grande aliada
A ciência comprova que os métodos de filtragem que usam a gravidade no processo de purificação da água são os mais eficazes do mundo, uma vez que o líquido passa lentamente pela vela, gotejando em um recipiente separado. Os micro-organismos e impurezas acabam retidos ou "sequestrados" devido à grande pressão exercida pelo fluxo de água.
Higiene é o que interessa
Finalmente, é importante lembrar que o filtro de barro precisa ser rotineiramente higienizado. Antigamente, cumpria-se o mito de limpar as velas dos filtros de barro com açúcar ou sal, mas esta prática não é recomendada por provocar o entupimento na parte porosa do filtro. O certo, garante mestre Ciro, é "usar sempre uma bucha (ou esponja) nova e fazer a limpeza em água corrente".

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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