Justiça mantém ações contra procurador acusado de produzir imagens de enteada Crise reabre debate sobre confiança nos dados que sustentam política e economia Racha na Assembleia de Deus sacode bases do governo e atinge a própria convenção
MINHA CASA...

Amazônia acumula imóveis prometidos, obras seguem lentas e benefício não chega

Programa volta a multiplicar anúncios na região, mas execução das obras ainda enfrenta entraves técnicos, burocráticos e financeiros.

  • 39 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 14/03/26 11:00
Amazônia acumula imóveis prometidos, obras seguem lentas e benefício não chega
A


retomada do Minha Casa Minha Vida pelo governo federal recolocou a política habitacional no centro do discurso social do Planalto. Em números oficiais, o programa já soma 2,23 milhões de moradias contratadas em todo o País desde 2023.

No Pará, apenas esta semana, ministro das Cidades anunciou mais 18 mil moradias, mas, quantas casas já foram entregues?/Divulgação.
O volume impressiona, mas, na Amazônia - região historicamente marcada por entraves fundiários, ambientais e urbanísticos -, o avanço entre anúncio, contratação e início efetivo das obras costuma seguir ritmo bem mais lento.

No Pará, Estado do ministro das Cidades, Jader Filho, os anúncios recentes ampliaram as expectativas. Apenas esta semana, durante agenda em Belém, o ministro anunciou a contratação de mais 18 mil moradias no Estado. Nos bastidores da política habitacional, porém, a pergunta começa a circular: quantas dessas casas já saíram do papel?

A promessa e a obra

A execução de projetos habitacionais na Amazônia enfrenta obstáculos que vão além da assinatura de contratos. Entre os principais gargalos estão: regularização fundiária de terrenos; licenciamento ambiental; infraestrutura urbana básica; capacidade técnica das prefeituras; e liberação efetiva de recursos federais.

Esses fatores fazem com que muitos empreendimentos permaneçam por longos períodos apenas no estágio administrativo. Em termos práticos, isso significa que unidades anunciadas como “contratadas” podem levar anos até se transformarem em canteiros de obra.

Quem paga a conta

Embora os anúncios sejam feitos pelo Ministério das Cidades, a engrenagem financeira do programa passa obrigatoriamente pela Caixa Econômica Federal, responsável pela análise técnica, contratação dos projetos e liberação dos recursos.

É a instituição que controla valores liberados; cronogramas de obra; percentuais de execução; e entrega das unidades.

Sem esses dados, qualquer balanço público do programa fica limitado ao campo das declarações políticas.

Municípios na fila

Prefeituras de diferentes regiões da Amazônia têm buscado habilitar projetos habitacionais junto ao governo federal. Em muitos casos, porém, os projetos ficam condicionados à solução de problemas estruturais como titulação de terrenos ou adequação urbanística, exigências básicas para a liberação do financiamento. A consequência é que diversas iniciativas acabam permanecendo na fase de expectativa.

A vitrine política

Programas habitacionais sempre tiveram forte peso político no Brasil, sobretudo em períodos eleitorais. O Minha Casa Minha Vida, por sua capacidade de gerar impacto social imediato, tornou-se uma das principais vitrines do governo federal.

No Pará, onde o programa ganhou nova dimensão sob comando do ministro Jader Filho, os anúncios frequentes ampliam a visibilidade da política habitacional, mas também aumentam a cobrança por resultados concretos.

O que falta esclarecer

Para separar promessa de execução, a coluna solicitou à Caixa Econômica Federal informações detalhadas sobre o programa no Pará desde 2023. Entre os dados requisitados estão número de projetos efetivamente contratados; quantidade de obras iniciadas; valores liberados para cada empreendimento; e unidades já concluídas e entregues. A resposta permitirá dimensionar com mais precisão o tamanho real do programa habitacional no Estado.

A métrica final

No Brasil, programas habitacionais costumam produzir manchetes antes mesmo de produzir casas. Mas, quando o assunto é moradia popular, a régua da população continua sendo a mais direta possível: não o número de anúncios, nem o de contratos assinados, mas o de famílias que recebem as chaves da casa própria.

Papo Reto

O STF se pronunciou a respeito da investigação aberta contra o jornalista no Maranhão. Segundo a Corte, o comunicador expôs dados sensíveis da segurança do ministro Flávio Dino (foto), e o objetivo do inquérito é averiguar alertas de monitoramento ilegal. 

•O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para participar de julgamento que analisa a prisão do empresário Daniel Vorcaro no STF. 

Com a decisão, ele se afasta do caso, que segue sob relatoria do ministro André Mendonça. O julgamento será virtual hoje na 2ª Turma. 

•A CPMI do INSS recebeu os dados colhidos com a perícia do celular de Daniel Vorcaro. O material, que soma milhares de páginas, será disponibilizado aos membros da comissão em uma sala-cofre. 

Aliás, a CPMI decidiu convocar a influenciadora Martha Graeff e o empresário e pastor Fabiano Zettel para depor na comissão. 

•Os parlamentares querem questionar a ex-namorada e o cunhado de Daniel Vorcaro a respeito de irregularidades relacionadas ao Banco Master. 

Mais: a Comissão adiou novamente o depoimento da empresária Leila Pereira, presidente da Crefisa e dirigente do Palmeiras. A oitiva foi remarcada para a próxima quarta-feira. 

•O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da fintech Dank. 

A Justiça aceitou o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar, abrindo caminho para a renegociação de dívidas com credores. 

•O presidente Lula sancionou lei que cria a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados em desastres. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.