Companhia com base no Pará faz negócio estratégico que reforça sua posição como líder global em três segmentos do setor de alumínio
São Paulo, SP - A Alcoa, multinacional americana da indústria do alumínio, acaba de anunciar a compra de todos os ativos de mineração (bauxita), refinaria (alumina) e alumínio da australiana South32 por US$ 4,1 bilhões (mais de R$ 20 bilhões). No Brasil, a aquisição inclui ativos em operação nos Estados do Maranhão e do Pará.
De acordo com informação da companhia, o negócio reforça sua posição como empresa líder e especializada no segmento “upstream” (desde a extração mineral ao processo de refino e metal) de alumínio, com um portfólio ampliado de ativos de bauxita, alumina e alumínio de classe mundial.
Em comunicado, a Alcoa ressaltou que “aquisição agregará um conjunto de ativos de mineração, refino e fundição de alta qualidade, baixo custo e diversificação global, fortalecendo ainda mais a plataforma de integração “da mina ao metal” da Alcoa”.
O negócio envolve valor total de US$ 4,1 bilhões, em dinheiro e ações, mais um direito de valor contingente de até US$ 750 milhões, com pagamentos baseados em um acordo de participação nas receitas vinculado aos preços futuros de alumina e alumínio. A expectativa é de que a transação gere US$ 900 milhões em sinergias operacionais, em valor presente.
Pela estrutura da operação, a South32 receberá pagamento inicial de US$ 3,1 bilhões em dinheiro e cerca de 17 milhões de ações ordinárias recém-emitidas da Alcoa, com valor implícito de cerca de US$ 1 bilhão. As ações representarão aproximadamente de 6% do capital da Alcoa.
Segundo a multinacional, o negócio “amplia significativamente uma fonte crítica de produção global, fortalecendo a capacidade da Alcoa de atender clientes em larga escala”. E reforça fornecimento global seguro e confiável de alumínio em um momento de demanda crescente por minerais e metais críticos.
“A operação consolida o compromisso e os investimentos de longo prazo da Alcoa na Austrália e no Brasil, além de estabelecer nova presença na África do Sul”, destacou no comunicado. A transação está prevista para ser concluída no primeiro semestre de 2027, após a aprovação dos acionistas da South32 e a dos órgãos regulatórios.
“Este é exatamente o tipo de oportunidade para a qual a Alcoa está estruturada”, disse William F. Oplinger, presidente e CEO da Alcoa. “Estes ativos de alta qualidade e relevância global encaixam-se perfeitamente na estratégia do nosso portfólio”, acrescentou.
A empresa informa que, após a conclusão da operação, a Alcoa será uma produtora global líder de alumina e alumínio, com uma produção “pro forma” para o ano civil de 2025 de 3,2 milhões de toneladas de alumínio e 14,8 milhões de toneladas de alumina, ampliando sua escala e competitividade global e fortalecendo sua posição para capturar o crescimento da demanda de longo prazo.
Quais são as operações no Brasil?
O negócio envolve participações da South32 em ativos na Austrália, na África do Sul e no Brasil. Na Austrália Ocidental, inclui a mina de bauxita de Boddington e a refinaria de alumina de Worsley; Na África do Sul, a fundição de alumínio de Hillside e as instalações da fundição de Bayside (atualmente inativa).
No Brasil, a aquisição inclui dois importantes ativos. A participação de 33% no consórcio que opera a mina de bauxita da Mineração Rio do Norte (MRN), localizada no município de Oriximiná (distrito de Porto de Trombetas) no Estado do Pará. A MRN tem capacidade de produção da ordem de 12 milhões de toneladas de bauxita por ano.
No Maranhão, a South32 é atualmente sócia da Alcoa na refinaria de alumina e na fundição de alumínio do consórcio Alumar, em São Luís. Possui 36% da refinaria e 40% da fundição. Na produção de metal, a unidade maranhense tem capacidade total (das duas empresas) de fazer mais de 400 mil toneladas de alumínio por ano.
A transação excluirá a fundição de alumínio Mozal, que a South32 tem em operação em Moçambique. A corporação, sediada em Perth, foi criada em maio de 2015, fruto de uma cisão da antiga BHP Billiton para agrupar e gerenciar um portfólio diversificado de ativos secundários da gigante BHP.
Foto: Divulgação
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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