Ao menos outros cinco casos de narcossubmarinos que partiram ou passaram pelo Brasil já foram identificados
Belém, PA - A Marinha do Brasil, a Força Aérea Brasileira, FAB, e a Polícia Federal, PF, apresentaram, na manhã desta sexta-feira, 6, a embarcação semissubmersível apreendida no último sábado, 31/05, no Rio Ganhoão, no município de Chaves, na Ilha do Marajó. A embarcação foi identificada com ajuda de imagens de satélite e de ferramentas de inteligência artificial.
De acordo com a FAB, o narcossubmarino seria usado por traficantes de drogas em travessias arriscadas pelo Oceano Atlântico até o continente europeu. Ao menos outros cinco casos de narcossubmarinos que partiram ou passaram pelo Brasil já foram identificados.
A operação reforça o papel das Forças Armadas e dos órgãos de segurança pública no combate aos ilícitos transfronteiriços, na defesa da Pátria e no apoio às populações locais.
Outros casos
Em março deste ano, três brasileiro e um espanhol foram presos pela Marinha de Portugal em um narcossubmarino carregado com 6,5 toneladas de cocaína. A embarcação partiu do litoral do Brasil e tinha como destino algum ponto da Península Ibérica. O Diretor Nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, afirmou que os homens “não são aprendizes” e foram treinados por uma organização criminosa cujo nome não foi divulgado.
Outra descoberta envolve o narcossubmarino ‘Poseidon’, que possuía a capacidade de levar 5 toneladas de cocaína em seu interior e foi apreendido em Arousa, na Espanha. A ação ocorreu em 2023 e o único indicativo da origem da embarcação - viajava com drogas e três tripulantes - é a presença de “comida brasileira”. A investigação aponta que, pela viagem transatlântica, cada integrante recebia U$ 50 mil, o equivalente a R$ 280 mil.
Em 2019, outra embarcação que possivelmente passou pelo Brasil, o “Che”, foi encontrada no mar da Galícia. Um piloto e dois tripulantes foram presos na ocasião e três toneladas de cocaína - avaliadas em R$ 700 milhões - foram apreendidas. Uma sacola da loja Paradão das Confecções, de Macapá, foi encontrada no interior e revelou a origem da viagem.
No ano passado, um semissubmersível foi descoberto por pescadores em São Caetano de Odivelas, no Pará. A polícia apreendeu a embarcação com a suspeita de que era usada para o tráfico de drogas. O município é vizinho à cidade de Vigia, onde o primeiro narcossubmarino do Brasil foi encontrado, em 2015.
Três décadas de ousadia
A situação é repercutida pelas polícias espanhola e americana desde 1993. Segundo as forças de segurança, mais de 300 narcossubmarinos foram apreendidos em ambos os lados do Oceano Atlântico. No país europeu, a Brigada Central de Narcóticos da Polícia Nacional afirma que a evolução do uso desses dispositivos não parou de aumentar.
As embarcações são construídas, em sua maioria, no Suriname ou na Guiana e transportam carregamentos com toneladas de cocaína das costas brasileira e colombiana para a Espanha e o norte da África. De acordo com a polícia espanhola, o atual objetivo dos traficantes é incluir sistemas de navegação com piloto automático, para evitar que os narcossubmarinos necessitem de uma grande tripulação para viajar.
A investigação ainda revela que o avanço ajudaria os criminosos a ganharem espaço para transportar mais carga nos dispositivos, que ainda têm combustíveis em seu interior.
Foto: Divulgação/PF
(Com O Globo)
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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