Dados do Hospital Metropolitano apontam crescimento crescente de acidentes envolvendo motociclistas na região metropolitana.
os últimos anos, o Brasil tem assistido a um crescimento expressivo de motocicletas em circulação. O que, à primeira vista, pode parecer apenas uma mudança de preferência na modalidade de transporte, na verdade reflete transformações profundas na estrutura social, econômica e urbana do País.

Além disso, em um cenário de desemprego persistente ou empregos informais mal remunerados, a motocicleta também passou a representar uma ótima oportunidade de renda. Ou seja, o crescimento dos serviços de entrega por aplicativos e mototáxis transformou a motocicleta em uma eficiente ferramenta de trabalho, já que muitos trabalhadores nela encontraram uma chance de sustento para suas famílias, ainda que enfrentem longas jornadas e riscos constantes no trânsito.
Mas esse caráter também impõe desafios. O trânsito nas grandes cidades se torna ainda mais caótico com o aumento da frota de motos. A busca pela rapidez, incentivada pela lógica da “vida moderna”, gera comportamentos perigosos, tanto por parte dos motociclistas quanto dos demais motoristas. Soma-se a isso a falta de infraestrutura adequada para o tráfego de motos e a vulnerabilidade desses condutores, que figuram entre as principais vítimas fatais em acidentes de trânsito.
Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil - de janeiro a novembro de 2024 -, foram registradas quase 150 mil ocorrências envolvendo motos e 13.477 motociclistas perdidos a vida em sinistros de trânsito, com um custo de R$ 233,3 milhões em internações para o SUS.
Na capital do Pará, de janeiro a outubro de 2023, foram registradas 1.957 entradas de motociclistas no Pronto Atendimento do Hospital Metropolitano, referência nesse tipo de atendimento. Em todo o ano de 2022 foram 1.833, sendo que este dado representou 41% do total de atendimentos relacionados ao trânsito, ocupando o segundo lugar no ranking, atrás apenas das colisões de veículos; em terceiro lugar ficaram os atropelamentos.
Os registros são maiores quando se tomam o total. Em 2022, foram registrados 3.625 acidentes envolvendo motocicletas, resultando em 2.906 feridos e 70 óbitos em Belém. Além disso, o número de motociclistas flagrados sem capacete na capital paraense cresceu 40% naquele ano, segundo dados da extinta Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana.
As ocorrências saltaram de 8.185 em 2023 para 11.453 em 2024. Em 2023, o Hospital Metropolitano do Pará registrou um aumento de 7% nos atendimentos a motociclistas acidentados, comparando os primeiros 10 meses do ano com o ano anterior.
Em 2024, o Metropolitano registrou aumento de 26% nos atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito, incluindo acidentados em motos. Entre as principais causas, além dos acidentes com motos, destacam-se colisões e atropelamentos.
Nos primeiros 11 meses do ano passado, a unidade atendeu 6.779 pacientes com esse perfil.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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