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Nos últimos 40 anos, uma quarto do território brasileiro foi afetado por queimadas

Relatório do MapBiomas indica que o impacto do fogo em 2024 superou média histórica em 62%

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  • 11/07/25 22:00
Nos últimos 40 anos, uma quarto do território brasileiro foi afetado por queimadas

Rio de Janeiro, RJ - Um quarto (24%) do território nacional queimou pelo menos uma vez em 39 anos - entre 1985 e 2024 -, um espaço equivalente à soma das áreas do Pará e do Mato Grosso, segundo levantamento do MapBiomas. Foram 206 milhões de hectares afetados pelo fogo com intensidades diferentes em cada um dos seis biomas do país.


Ao lado da Amazônia, que bateu recorde de incêndios florestais no ano passado, e da Mata Atlântica, cuja área foi a mais afetada nestas quatro décadas, o Pantanal é destaque: mais da metade (62%) do território foi impactado no período.


Obtidos por meio de imagens de satélite, os dados mostram também um retrato do fogo em 2024, quando 30 milhões de hectares foram afetados. A área é 62% acima da média histórica de 18,5 milhões de hectares por ano. A concentração dos incêndios ocorreu no período de agosto a outubro (72% da área queimada no país), com setembro respondendo a um terço do que foi impactado no ano passado.


O relatório indica que 64% da área afetada pelo fogo no país queimou mais de uma vez nestas quatro décadas. O Cerrado foi o bioma com mais recorrência: 3,7 milhões de hectares queimaram mais de 16 vezes em 40 anos.


A pesquisa também mostra o tamanho das cicatrizes deixadas pelo fogo no país. Se a média nacional nas quatro décadas aponta que a maior proporção (27%) correspondia a áreas queimadas entre 10 e 250 hectares, no ano passado houve uma inversão: quase um terço (29%) do território impactado pelo fogo foi em megaeventos de fogo com mais de 100 mil hectares afetados. Os dados apontam também que 43% do total da área queimada no Brasil desde 1985 teve sua última ocorrência de fogo nos últimos dez anos (2014 a 2023).


Nas quatro décadas, 69,5% da área queimada no Brasil ocorreu em vegetação nativa (514 milhões de hectares). O percentual foi ainda maior em 2024: foram 72,7% (21,8 milhões de hectares). Houve também uma mudança no tipo de vegetação nativa mais afetada. Historicamente, a liderança era ocupada pela formação savânica, com uma média anual de 6,3 milhões de hectares. No ano passado, predominou a formação florestal, como 7,7 milhões de hectares - valor 287% superior à média histórica.


Os biomas com maior proporção nativa afetada pelo fogo nas quatro décadas foram Caatinga, Cerrado Pampa e Pantanal - todos com mais de 80% da extensão afetada. Já na Amazônia e na Mata Atlântica, o fogo ocorreu principalmente em áreas ocupadas pelo homem (mais de 55%).


No caso da Amazônia, pastagens respondem por 53,2% da área queimada do período. Na Mata Atlântica, 28,9% da extensão queimada eram de pastagens e 11,4% de agricultura.


Foto: Reprodução/NASA

(Com O Globo)

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.