Áudio eivado de palavrões transmite recado do deputado estadual Chamonzinho; tiro sai pela culatra e expõe disputa declarada e figadal desde a eleição do prefeito Toni Cunha.
Mais de sete meses depois de perder a disputa municipal, deputado Chamonzinho, do MDB, se dedica a minar o titular do cargo, Toni Cunha, do PL/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.
fato que, sejam os indivíduos de qualquer idade que julgam ter o “juízo no lugar”, ou os chamados sexalescentes - aqueles nascidos nas duas décadas anteriores aos anos 1970 que se recusam a sucumbir ao estereótipo da terceira idade -, todos alimentam alguma preocupação com o assombroso avanço da Inteligência artificial, mas, em Marabá, rica e próspera cidade do sudeste paraense, a “Sra. Ia” é acusada de extrapolar, isto é, de ultrapassar os limites da compreensão - e, se duvidar, por insuspeita falta de cautela, “tomar umas e outras”.
Esse improvável episódio envolve uma disputa figadal pelo poder, entremeada pela suposta obsessão do candidato derrotado nas eleições do ano passado à prefeitura da cidade, o deputado estadual Chamonzinho, do MDB. O parlamentar, pelo que se comprova em áudio, mantém viva a rinha eleitoral desde que foi negado pelas urnas.
O problema é que o incômodo, teoricamente pessoal, afeta terceiros, quartos e quintos como um vírus incontrolável. O mais recente - e vexatório - tem como personagens um jornalista e um social mídia do Grupo Correio, o conglomerado de comunicação de propriedade de Chamonzinho, que atua com rádios, TVs, sites e jornais impressos na região. Ouça o áudio.
Em Marabá, a ordem é clara: atacar, com toda a força dessas ferramentas, a gestão do prefeito Toni Cunha, do PL, de modo a não restar pedra sobre pedra. Ordem dada, executada.
O problema é que a estratégia, além de não vir dando certo, é vista com desconfiança até mesmo por quem faz parte do time derrotado. Foi assim que o jornalista Chagas Filho, fiel escudeiro de Chamonzinho, perdeu a paciência com o colega de prenome Jeferson e soltou o verbo em um áudio determinando que os ataques sigam em força e frequência assíduas, custe o que custar - orientação que Jeferson teima em não seguir.
Há quem diga que Chagas Filho teria “tomado umas e outras” quando resolveu colocar o colega no seu devido lugar com um áudio de seis minutos. O sermão, que para as redes sociais dura uma eternidade, reitera a Jeferson as razões pelas quais recebe salário e quem paga. “Não há desculpa para deixar de bater; tem que bater”, é a ordem.
Na mensagem, Chagas Filho deixa claro que a ordem é abrangente a todos os funcionários e mostra que a guerra pelo Executivo Municipal em Marabá, ao menos para Chamonzinho, não acabou. “Quando você deixa de fazer o que é preciso fazer, é de mim que ele - Chamonzinho - vem em cima”, pondera o impaciente jornalista.
Agora, vexame mesmo foi a desculpa de Chagas Filho no day after do áudio bombástico. Depois de ver o estrago do vazamento, sobretudo para os planos do chefe, o jornalista divulgou um vídeo atribuindo a fala - àquela altura já em todos os aparelhos de telefone da cidade - a uma suposta manipulação feita por Inteligência Artificial.
Teriam tomado - ele e a “Sra. Ia” - umas e outras na noite anterior? Bem, até as pedras de Marabá suspeitam que teria sobrado inteligência de um lado e faltado do outro, uma vez que, no vídeo, o jornalista avisa que tomará as “medidas cabíveis contra o autor do recado”.
Não há informações sobre a permanência ou a saída do jornalista do Grupo Correio após o episódio. Há quem diga que Chamonzinho, sobretudo pelas razões que levaram Chagas a transmitir o recado ao colega, não tolera esse tipo de situação. Numa análise mais ampla, a mensagem apenas escancarou uma situação que já é visivelmente pública na cidade e região.
No dia 10 deste mês, outra manobra supostamente arquitetada pelo deputado Chamonzinho tentou cassar o prefeito Toni Cunha. Vereadores ligados ao parlamentar aprovaram a abertura de uma comissão processante para investigar o gestor após acatar uma denúncia protocolada por uma moradora do município.
O processo pode resultar na cassação do mandato do chefe do Executivo, caso sejam confirmadas infrações político-administrativas. A denúncia foi lida em plenário pela primeira-secretária da Casa e a admissibilidade do processo foi aprovada por 12 votos favoráveis, 8 contrários e uma abstenção.
Com a aceitação da denúncia, uma comissão responsável por conduzir as investigações foi formada. O grupo será presidido pelo vereador Jimysson Pacheco, do PL, com Maiana Stringari, do PDT na relatoria, e Pedrinho Corrêa, do PRD. O prazo para apurar os fatos e apresentar um relatório final para votação em plenário é de 90 dias.
A autora da denúncia, Ana Lúcia Farias Gomes, alega que o prefeito cometeu diversas irregularidades administrativas que, segundo o Decreto-Lei nº 201/1967, podem configurar motivos para perda de mandato.
Toni Cunha se defende e afirma que segue no comando do município contra o sistema que, nas redes sociais, ele apelidou de “Correio de Mentiras”. Em ano que antecede sua própria eleição para permanecer no parlamento estadual, Chamonzinho segue com “sangue nos olhos” e disposto a manter duas frentes diferentes de batalha.

•E o Pedral do Lourenço, hein? Acertou quem apostava que o Ministério Público Federal conseguiria convencer a Justiça de que a licença emitida pelo Ibama para a obra - com absoluto aval de Lula (foto), é claro -, "não cumpre condições legais e judiciais".
•Ontem, domingo, consagrado a São Pedro e aos pescadores, foi um dia importante para destacar um novo-velho escândalo: a inexplicável multiplicação de pescadores artesanais depois que foi criado em 1991 pela Lei nº 8.287.
•A coluna alertou por diversas vezes para os sinais explícitos de uso político desse benefício - as fraudes no cadastro nacional. Na cidade de Mocajuba, há quase 16 mil pescadores; em uma cidade do Maranhão, mais de 1 mil profissionais para cada barco cadastrado.
•Comenta-se que a Polícia Federal já investiga no Pará vários "intermediários" do benefício, inclusive o secretário de Saúde de um município do Marajó que teria, sozinho, arregimentado milhares de "pescadores" na capital para cadastrá-los na colônia de pescadores local, a fim de receber os quatro salários.
• Um exército de vereadores, além de dirigentes de colônias, associações e sindicatos que também explodiram do dia para a noite, sobretudo no Pará, cada um com seu "padrinho" de gravata, também foram decisivos no processo, basta investigar.
•O novo escândalo tem nome e sobrenome: ministro André de Paula e seu partido, o PSD, de Gilberto Kassab, que recebeu de Lula o Ministério da Pesca de "porteira fechada" e, pelos números do Portal da Transparência, não só não enfrentou as fraudes, mas as triplicaram.
•Para surpresa de 0% dos produtores brasileiros, depois da navalhada no seguro rural, o governo Lula lançará nos próximos dias o Plano-Safra 2025/26, com juros bem maiores em todas as linhas de financiamento, diz a revista Exame. Além da queda, o coice!
•Mesmo sob a severa má vontade do atual governo, o agronegócio nacional bateu mais um recorde: 28,5 milhões de empregos gerados no primeiro trimestre de 2025, crescimento de 0,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
•Como diz o leitor Álvaro Guimarães, empreender no agro brasileiro não é coisa para amador; e não é mesmo.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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