Federação das Indústrias do Pará manifesta preocupação com o tarifaço de Trump e o aumento de impostos do governo Lula.
ara a indústria paraense, a medida acende um sinal de alerta, considerando a relevância estratégica das relações comerciais entre Brasil e EUA, bem como os impactos diretos para a economia do nosso Estado. Por outro lado, considera inaceitável que, diante de dificuldades fiscais, o governo Lula recorra novamente ao aumento de impostos. A indústria e a população brasileira estão entre a cruz e a caldeirinha.

A decisão do governo dos EUA traz incertezas significativas para o ambiente econômico, especialmente em Estados exportadores e importadores como o Pará, onde as relações comerciais com o mercado norte-americano têm papel relevante para a atividade industrial e para a geração de empregos e renda.
De janeiro a junho deste ano, 36% dos produtos importados pelo Pará vieram dos EUA, totalizando US$ 466 milhões, um crescimento de 62,36% em relação ao mesmo período de 2024. Entre os principais itens importados destacam-se: hidróxido de sódio - soda cáustica -, gás natural liquefeito, dumpers para transporte de mercadorias e coque de petróleo calcinado.
Nas exportações, os EUA representaram 5,2% do total da balança comercial paraense no primeiro semestre, com um valor total de US$ 569 milhões, registrando avanço de 43,08% sobre igual período do ano anterior. Entre os principais produtos exportados pelo Pará ao mercado norte-americano estão alumina calcinada, ferro fundido bruto não ligado, hidróxido de alumínio e alumínio não ligado.
Atualmente, o Pará ocupa a 8ª posição entre os Estados que mais exportam para os EUA e a 12ª posição entre os que mais importam. Entre os municípios paraenses, destacam-se nas vendas para o mercado norte-americano Barcarena, Marabá, Breu Branco, Castanhal e Redenção. A Fiepa se mantém alinhada ao posicionamento da Confederação Nacional da Indústria, reforçando a defesa de uma conversa diplomática contínua e eficiente para reverter a decisão. Entende que não há fundamentos econômicos que justifiquem essa medida extrema, que pode gerar prejuízos severos para cadeias produtivas integradas entre os dois países.
A Federação reitera a defesa de que medidas comerciais devem ser precedidas de amplo diálogo diplomático e negociação entre os países, buscando sempre alternativas que permitam mitigar impactos negativos ao setor produtivo, manter a segurança jurídica dos negócios internacionais e preservar as relações comerciais estabelecidas ao longo de décadas.
Segundo a indústria paraense, “o mais importante, neste momento, é garantir a soberania nacional aliada à intensificação do diálogo, visando preservar uma relação comercial que historicamente é complementar e estratégica tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos”. Além disso, insiste na necessidade de que as tratativas priorizem negociações construtivas, com soluções capazes de manter empregos, investimentos e o desenvolvimento industrial, sem grandes impactos à economia brasileira e ao Pará.

De outra forma, a Fiepa considera inaceitável que, diante de dificuldades fiscais, o governo federal recorra novamente ao aumento de impostos, impondo mais sacrifícios à população - em especial aos trabalhadores e empresários que sustentam a economia real do País. A solução para o equilíbrio das contas públicas deve estar na eficiência dos gastos e na implementação de reformas estruturais, e não na elevação de uma carga tributária que já é uma das mais altas do mundo.
De acordo com estimativas do setor industrial, a elevação do imposto representará um custo adicional de R$ 19,5 bilhões para as empresas brasileiras apenas no restante de 2025, chegando a R$ 39 bilhões em 2026. No Pará, a aplicação da nova alíquota ao montante financiado pelo FNO - R$ 7,7 bilhões - deve gerar um impacto de aproximadamente R$ 145 milhões apenas para indústrias e agroindústrias que utilizam essa linha de crédito.
O aumento da tributação sobre operações de crédito encarece investimentos produtivos e prejudica especialmente regiões como o Pará, onde a baixa densidade de capital exige maior acesso a financiamentos para viabilizar produção, inovação e crescimento. Isso afeta também pequenas indústrias que trabalham com produtos da biodiversidade e enfrentam forte sazonalidade, dependendo de empréstimos para formar estoques e manter suas atividades ao longo do ano.
Além disso, o aumento do IOF sobre câmbio encarece a importação de insumos e bens de capital essenciais para a modernização do parque industrial paraense, comprometendo ainda mais a competitividade do setor no cenário nacional e internacional.
Segundo a Federação, o uso do IOF como instrumento meramente arrecadatório contraria boas práticas fiscais e pode ter efeitos negativos de longo prazo, ao desestimular a atividade econômica e comprometer a arrecadação de outros tributos. Em um contexto de juros elevados, medidas como essa tornam-se ainda mais prejudiciais ao desenvolvimento do País.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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