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Grande Belém contabiliza 389 setores sob risco de inundação e de erosão, segundo estudos da Ufra

Plano entregue à Defesa Civil prevê reduzir impactos em Belém e região das Ilha do Combu, Cotijuba, Mosqueiro e Outeiro.

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  • 24/06/25 09:10

Além da área do comércio, que enche com a combinação das águas de maré e da chuva, a Doca continua a ser um grande problema.


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emana passada, em uma audiência pública, a Universidade Federal Rural da Amazônia apresentou à comunidade e à Prefeitura de Belém, por meio da Defesa Civil e Secretaria de Meio Ambiente, um estudo em que mostra que a capital do Pará tem 301 setores de risco de inundação e 88 com risco de erosão nas ilhas do Combu, Cotijuba, Mosqueiro e Outeiro, totalizando 389 áreas com essas ameaças.

Após 15 meses de trabalho, coordenados pela Ufra, alguns dos resultados foram apresentados no III Encontro sobre o Plano Municipal de Redução de Riscos, coordenado pela Universidade. O plano de redução de riscos de Belém integra outros 20 que estão sendo desenvolvidos no Brasil, sob coordenação geral do Ministério das Cidades, da Secretaria Nacional de Periferias e do Departamento de Mitigação e Prevenção de Riscos, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, Defesa Civil e universidades.  

O documento resultante será encaminhado para a Defesa Civil de Belém para servir como mais um instrumento para prevenção de riscos e captação de recursos para obras. 

Projeto em Belém 

Em Belém, o projeto é coordenado pela Ufra, com a professora Milena Andrade e uma equipe interdisciplinar de nove pessoas que compõem o Grupo de Pesquisa e Extensão em Desastres e Geotecnologia na Amazônia - Geodesastres.   

“Além de Belém, também está sendo elaborado um plano em Manaus, os primeiros da região Norte. É um instrumento que auxilia no planejamento e no ordenamento territorial e traz apontamentos concretos sobre quais as áreas prioritárias, devido ao grau de risco que apresentam. É um plano que pode ajudar a criar uma cultura de prevenção e uma cidade melhor para todos”, explica a professora.  

Historicamente, Belém tem problemas com inundação e erosão costeira. “É um instrumento que a prefeitura pode usar não só para planejar, mas efetivamente agir e tentar reduzir o risco nessas áreas”, explica Milena. 

Durante a audiência, foram apresentados os números de setores de riscos mapeados; ameaças e vulnerabilidades indicados pela população durante o mapeamento participativo; indicativos de propostas de intervenção estrutural de engenharia e as respectivas precificações, além de indicação de medidas não estruturais, voltadas à prevenção e educação para redução de riscos. O público também teve acesso a folders, cartilhas e um glossário voltados à prevenção de riscos, que podem ser utilizados como material educativo também em escolas. 

Sinais de ameaça 

Em Belém, foram mapeadas duas ameaças principais: inundação e erosão costeira, que são dois processos distintos. A inundação se relaciona com o transbordamento dos rios; e a erosão costeira está relacionada às áreas específicas das ilhas onde existem habitações perto de áreas que podem colapsar. 

As áreas mapeadas pelo Plano de Redução de Riscos de Belém foram classificadas em graus de risco médio, alto e muito alto risco. Dos 37 bairros mapeados na cidade, cinco são considerados prioritários às ações de intervenção de obras do setor público: Tapanã; Curió-Utinga; Paracuri; Terra firme e São João do Outeiro, bairro da Ilha de Outeiro.  

“Nós colocamos esses bairros como prioritários diante do número de setores de riscos que eles apresentaram, considerados muito alto e alto, o grau de complexidade das obras que precisam ser realizadas, o custo da intervenção por edificação, número de edificações e o custo total”, explica a professora Milena.   

Nos locais citados existem fatores como o potencial de causar danos e edificações de baixo padrão construtivo localizadas onde esse potencial pode causar danos. A questão de ordenamento territorial de Belém mostra a forma como a cidade foi constituída, que é sobre 14 bacias hidrográficas. A maioria dessas bacias foi aterrada e são áreas baixas, de 0 a 4 metros de altitude.  

“A infraestrutura em algumas dessas áreas é mais precária, são áreas de vulnerabilidade socioeconômica”, explica a professora.   

O fator chuvas 

As costumeiras chuvas da região, especialmente no chamado “inverno amazônico”, são um fator que precisa ser considerado em um plano de riscos. Em Belém, chove bastante no primeiro semestre, e há ainda as marés altas nos primeiros três meses do ano.  

“A tendência da água é escorrer para o seu rio principal, mas se essa área está aterrada ou impermeabilizada, a possibilidade de ocorrer inundação é muito alta, se não forem tomadas medidas preventivas. Essa combinação de fatores leva a que as áreas de risco sejam constituídas”, explica Milena.   

Medidas estruturais 

Pelo menos 31 dos bairros mapeados receberam proposições de medidas estruturais que podem ser feitas de forma preventiva, para evitar que os desastres ocorram.  As sugestões são apontamentos que vão desde micro e macrodrenagem, até limpeza, canalização, dragagem e recomposição vegetal. O plano também indica uma sugestão sobre a precificação do custo dessas obras, com base no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, da Caixa Econômica Federal.  

"Os seis bairros que não foram contemplados apresentam apenas setores de risco médio. Os setores de risco alto e muito alto foram os primeiros critérios para indicar as medidas estruturais", destaca a coordenadora. 

 Segundo a professora, além da construção de novas infraestruturas, é importante manter o que já existe e que impede as inundações. A intervenção proposta versa sobre a manutenção de estruturas que já existem, como a macrodrenagem. O processo de limpeza periódica dessas estruturas precisa estar na agenda do município, porque foram criadas para essa finalidade.

Papo Reto

Arnaldo Dopazo (foto) foi nomeado para a Secretaria de Obras e Infraestrutura pelo prefeito Igor Normando, no lugar do engenheiro Euler Guimarães Sizo, que teria deixado o cargo falando cobras e lagartos.

•A nomeação joga por terra os boatos segundo os quais Dopazo assumiria a Secretaria de Educação, na vaga que foi ocupada por Rossieli Soares. E as mudanças seguem em alta na Prefeitura de Belém.

Com a marca “BRT Amazônia”, o grupo de transporte Next, do ABC paulista, vai assumir corredor de ônibus rápidos que ligará Belém, Ananindeua e Marituba - ainda em obras, mas com início parcial previsto para o final deste ano.

•A guerra entre Israel e Irã já elevou o preço do petróleo da faixa dos US$ 60 para os atuais US$ 80 o barril, mas o governo brasileiro deixa claro que está de olhos abertos nos dividendos da Petrobras.

Aliás, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confessa que o governo negocia dividendos extraordinários de todas as estatais para atender a tal meta fiscal de 2025.

•O PCC já figura entre os maiores proprietários de terra do Brasil, acumulando, acredite, 511 mil hectares.

Se fosse uma holding agropecuária, a organização figuraria entre os cinco maiores grupos agrícolas do Brasil em extensão territorial.

•Pesquisadores da universidade americana de Rochester publicaram estudo na “Revista Nature” relatando como os morcegos conseguem viver por 40 anos sem contrair nenhum tipo de câncer. 

É que inúmeras espécies detém o chamado "mecanismo fisiológico conveniente", que cria múltiplas cópias do p53, espécie de "gene supressor" de tumores. 

 

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.