Estado visa conectar produção à preservação ambiental, investindo no cultivo de alimentos com sustentabilidade
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), instituiu nesta terça-feira (1º) o Plano Estadual de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC+ Pará), passando a integrar a estratégia do Governo Federal voltada à elaboração e implementação do Plano Estadual para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária. A iniciativa visa ao Desenvolvimento Sustentável ABC+ Pará (2020-2030), em colaboração firmada com os demais integrantes do Comitê Gestor Estadual (CGE).
Para o governador Helder Barbalho, que assinou o decreto do Plano Estadual, a produção e a preservação são fundamentais. Ele avalia como equívoco e visão ultrapassada uma agenda de preservação não interligada à agenda de produção. "A importância do que fazemos hoje reside no fato de que 96% das emissões de gases de efeito estufa no Pará são provenientes do uso do solo. Diferentemente de estados com forte base industrial, onde as emissões vêm da indústria e do petróleo, aqui a questão central é o uso da terra. Queremos continuar sendo protagonistas na produção de alimentos, mas de forma sustentável, sem desmatar", enfatizou o chefe do Executivo.
Helder Barbalho ressaltou que o Pará almeja ter o maior rebanho bovino do Brasil, meta que considera plenamente possível. Atualmente, o Estado conta com 26 milhões de cabeças de gado, com uma área ocupada relativamente baixa. Ao duplicar ou triplicar essa produção, poderá superar o rebanho do Mato Grosso, atualmente o maior do País.
O Plano ABC+ é uma iniciativa do governo federal que visa incluir a agropecuária nas estratégias de controle de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e garantir alimentos conservando os recursos naturais. O Plano é integrado por cinco Câmaras: Sistemas Integrados; Pecuária Sustentável; Grãos, Hortaliças e Bio-insumos; Irrigação e Transversal, cada uma presidida e composta por representantes de instituições do Comitê Estadual.
Sobre outro importante segmento da economia paraense, a produção de cacau, o governador disse que, em 2024, o Brasil produziu 285 mil toneladas do fruto, sendo 145 mil toneladas no Pará, que superou a produção da Bahia, com 111 mil toneladas. "Apesar disso, a produtividade na Bahia, para atingir 111 mil toneladas, foi significativamente superior à nossa, utilizando quatro vezes mais área. A capacidade produtiva do nosso Estado, sendo o maior produtor de cacau do Brasil, com uma área produtiva menor que a do segundo colocado, demonstra o potencial de crescimento que temos", acrescentou Helder Barbalho.
Referência - O secretário de Inovação e Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Pedro Neto, acredita que o Pará é o farol do desenvolvimento sustentável para a região amazônica, e também para todo o Brasil, dentro de um setor para o qual o Brasil é vocacionado. "É um setor muito sensível, que precisa ser olhado com carinho, com atenção e zelo, para que o nosso produtor rural possa ter um espaço competitivo, à altura que ele merece, uma vez que vem aprendendo ao longo do tempo. O Pará é uma referência nisso, para produzir e preservar. Esse equilíbrio, quando a gente vê a assinatura de um plano tão ambicioso, se materializa", ressaltou Pedro Neto.
Para o titular da Sedap, Giovanni Queiroz, a Secretaria vem fazendo o ABC, praticando efetivamente e implantando os termos de agricultura de baixo carbono. "Já estão assentadas aproximadamente 1.500 famílias, que são muito sustentáveis, plantando, por meio do sistema agroflorestal (SAF), cacau e açaí", informou.
Fonte: Agência Pará
Foto: Pedro Guerreiro/ Ag. Pará
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
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