Contenção de despesas e revisão de modelos de créditos estão entre as medidas adotadas, mas o gasto em publicidade segue firme e forte e novas contratações, bem distantes.
á dois meses, o Banpará teve homologado o concurso público ocorrido em março deste ano oferecendo 37 vagas para os níveis médio e superior com salários que variam de R$ 3.851,57 a R$ 10.136,29. Nesse intervalo, nenhum dos aprovados foi chamado - e o que era um sonho dos concorrentes, agora corre para virar um terrível pesadelo.

No último dia 4 de julho, a diretoria colegiada do banco aprovou um plano de contingência diante de uma diferença de 67,65% no lucro líquido esperado para o mês de maio. A expectativa era de que o banco arrecadasse R$ 20,1 milhões, mas o resultado foi de apenas R$ 9,6 milhões, o que acendeu o sinal de alerta na instituição.
Os principais fatores que contribuíram negativamente para este cenário foram o aumento das Despesas com Captação no Mercado e com Empréstimos e Repasses, na ordem de 40,73% - R$ 38,5 milhões, Perdas Esperadas, em 64,56% - R$ 21,9 milhões, além do aumento das despesas com pessoal, que teve variação negativa de 1,97% - R$ 1,3 milhões - em relação ao previsto.
Todas as justificativas para a aprovação do plano e o detalhamento de cada medida a ser tomada estão especificados em um documento assinado pelo diretor de Controle, Risco e RI, Igor Barbosa Gonçalves. De acordo com a carta, “o crescimento das carteiras de crédito em proporção maior que o crescimento do PR, bem como a evolução da inadimplência maior do que a recuperação dos ativos, consome muito mais 'capital' do que promove a 'remuneração'.
Diante do desequilíbrio das contas, a Diretoria Colegiada determinou a execução de cinco medidas emergenciais para tentar reverter o quadro de déficit no Banpará. Veja o documento abaixo, na íntegra:
- Redução imediata de despesas, com foco nas administrativas e gerais sobre o realizado, já excetuando-se o percentual de diminuição corrente quanto ao orçado
- Reavaliação das metas de crescimento da carteira de crédito, priorizando qualidade sobre volume e monitoramento
- Revisão dos modelos de provisão de perdas, intensificando cobrança e recuperação de ativos
- Redimensionamento da estratégia de captação, alinhando o mix de produtos à atual taxa Selic
- Reavaliação da política de preços e tarifas com foco em maximizar receitas de serviços

Mas a gestão adotada pelo Banpará é - mesmo sem ser mencionada no documento encaminhado à Coluna Olavo Dutra - um agravante para o quadro de preocupação que, há tempos, afeta a instituição. Prova disso é a multa de R$ R$ 1,413 milhão aplicada pelo Banco Central ao Banpará, no mês passado.
O motivo da punição estaria relacionado a prazos do open finance, com os quais o Banpará não estaria aderente ainda. A aplicação da multa é uma informação de domínio público e consta no Sistema de Gerenciamento de Multas, SGM, do BC. O banco estadual pediu ao Banco Central para que o valor fosse parcelado de dez vezes e foi atendido.
Ainda assim, a atual diretoria não se esquiva de seguir investindo em publicidade, seja por estratégia, vontade própria ou ordens superiores. Entre os valores gastos somente no mês de julho está o patrocínio ao evento “Verão Sal Pé na Areia 2025”, realizado na atlântica Salinópolis e para o qual o Banpará destinou a bagatela de meio milhão de reais.
A resposta à redução dos lucros no mês de maio, definida pela Diretoria Controle, Risco e RI, Dicri como “ágil e coordenada”, espera colher os resultados positivos já com base nas transações realizadas no mês de julho, quando muitos servidores públicos do Estado, que formam a maioria da carteira de clientes do Banpará, aumentam as despesas em função das férias escolares.
O documento encerra afirmando que “o cumprimento tempestivo das áreas sobre as sugestões indicadas podem mudar o cenário previsto para o 2° semestre do ano de 2025, melhorando a performance da Instituição, assim como outras ações de melhorias que as áreas devem ter nas suas ações diárias.”

•Para quem pensa que já viu de tudo: o Tribunal de Contas do Estado, na pessoa do presidente, conselheiro Fernando Ribeiro (foto), anuncia o inusitado.
•A corte de contas do Pará acaba de lançar consulta pública para a “construção coletiva” do Plano Anual de Fiscalização Cidadão”.
•Trocando em miúdos, isso quer dizer que o tribunal quer saber da própria população o que deverá ser fiscalizado em 2026.
•Incrível como há situações de fácil entendimento que nem os bons entendedores entendem.
•Lição da semana: quando o mais forte briga com o mais fraco, principalmente usando todo o arsenal que lhe é disponível, empresta a este a sua força”.
•Curiosidade: uma apresentadora de televisão em Belém descreveu a situação de porcos vivendo em uma área lamacenta, chafurdando tanto quanto fazem os porcos, como “degradante”.
•Conversando aqui e acolá, a coluna soube que, anos atrás, um repórter de jornal descreveu o seguinte: "É uma situação difícil e os moradores relatam que veem ratos urinando no meio da rua".
•Acredite, o Havaí já usa mosquitos modificados para salvar pássaros em extinção. Por estas bandas, pássaros modificados não conseguem salvar mosquitos em extinção.
•A TV Record pode ter dado um tiro no pé com as mudanças que fez recentemente na afiliada de Belém.
•Depois de requisitar o carismático apresentador Marcus Pimenta, do programa ‘Balanço Geral Pará’, para São Paulo, substituído por Renê Marcelo, a chamada “praça” da capital paraense está vendo a audiência cair dia após dia.
•Nem a “maquiagem” em dois telejornais da casa ajudou. Quem está gostando da situação é a RBATV, que ganhou muita audiência depois dessas mudanças.
•A insatisfação na Record é gritante e a prova concreta é que duas jornalistas, com muito tempo na emissora, preferiram pedir demissão e sair antes do barco afundar de vez.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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