A instabilidade da atual gestão, que chega ao fim na próxima semana, levou o Ministério da Educação ao extremo; nova reitora assume dia 7 para “arrumar a casa”.
sta semana começou com um bombardeio de mensagens e denúncias contra o ex-reitor Marcel Botelho, mas termina hoje, com a nomeação, ontem, 31 - publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira -, da ex-vice reitora, professora Janae Gonçalves, como reitora “pro tempore” da Universidade Federal Rural da Amazônia, a Ufra. A nova reitora terá função específica e determinada: “arrumar a casa” e organizar um processo eleitoral dentro das regras para a escolha do reitor.


Como amplamente noticiado, a atual gestão sequer se licenciou do cargo no prazo exigido de 90 dias para concorrer às eleições, “desobediência” que acabou sob investigação da Justiça Federal a partir de um processo movido pela chapa concorrente - nas eleições que não aconteceram - formada pela professora Eldilene Barbosa e pelo professor Raimundo Nelson.
No início da semana, em textos disparados para as redações por uma suposta “milícia digital” empenhada em tornar o ambiente acadêmico mais tumultuado na Universidade e impedir a nomeação de nova reitora, Janae Gonçalves era dada como “marionete” do ex-reitor, por sua vez considerado “bolsonarista”, embora os fatos neguem: afinal, foi a professora Herdjânia Veras a escolhida pelo então presidente Jair Bolsonaro para o cargo, mesmo como segunda colocada na consulta acadêmica, decisão que gerou muitas críticas, mas contou com o apoio do deputado federal Eder Mauro, do PL. Janae, primeira colocada na consulta à comunidade acadêmica, acabou preterida por interferências políticas e pela nomeação da professora Herdjania Veras, cujo mandato chega ao fim.
Alvo principal das denúncias da semana, o ex-reitor Marcel Botelho é o atual presidente da Fapespa, a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, órgão do governo do Estado criado em 2007 para atuar no fomento a pesquisas em ciência, tecnologia e inovação no território paraense.
Em contato direto com a coluna na madrugada de hoje, Marcel admitiu que foi consultado pelo MEC, na condição de ex-reitor, sobre a ‘competência’ da professora Janae Gonçalves para assumir o cargo temporariamente, conforme a praxe. Há casos em que Universidades em situações semelhantes às da Ufra são entregues ao reitor anterior - o que Marcel recusou -, ou ao candidato mais votado - no caso, a professora Janae Gonçalves.
“Desqualificar a professora Janae nada mais é do que desespero e sede de poder. O grupo que atualmente comanda a Ufra é conhecido por escândalos e arbitrariedades, um modus operandi que fala muito sobre o jeito de trabalhar deles. A nomeação da professora Janae representa uma reparação histórica, já que a atual gestão nunca foi a mais votada na Universidade”, tendo assumido o papel de “interventora” à época, explica Marcel Botelho.
Com relação à avenida Liberdade, em que as denúncias também tentam envolver o ex-reitor, Marcel explica que a cessão da área foi feita pela Superintendência do Patrimônio da União, que tem competência para tal, e não pela Universidade. “Na ocasião, levei o assunto ao Conselho Universitário para que acompanhasse o processo de construção da rodovia a fim de reparar a Universidade ou o meio ambiente do entorno em caso de algum prejuízo durante as obras. Mas isso nunca aconteceu, porque a nova Reitoria simplesmente proibiu os membros do Conselho de participarem de qualquer reunião sobre o assunto. Ainda assim, a Ufra sempre foi convidada para fazer parte do processo. Se ausentar foi mera escolha da gestão”, explica, sugerindo que, atualmente, a Universidade nada mais pode fazer com relação ao assunto.
A verdade é que - pelo menos a partir da decisão do MEC de nomear nova reitora -, no palco dos interesses políticos dentro da Ufra a informação precisa se sobrepor a acusações sem comprovação. Caso contrário, o processo democrático, já tão ferido na instituição, seguirá sangrando. E se é verdade, como defendem os denunciantes à coluna, que “a Ufra merece respeito”, esse respeito, ao fim e ao cabo, precisa começar pelas pessoas que a integram e deveriam defendê-la. Afinal, enquanto as pessoas, mesmo que adversárias, não se respeitarem dentro da instituição, o prejuízo será sempre da comunidade acadêmica.
A reitora Herdjania Veras encerra seu mandato sem conseguir realizar as eleições. Esta situação levou o MEC a nomear um dirigente “pro tempore”, com a missão de arrumar a casa administrativamente, coordenar o processo de eleição para todos os cargos e restaurar o processo democrático. Trata-se de uma situação causada pela própria gestão da Universidade, que também levou a Justiça a determinar a suspensão da eleição para saneamento de vícios ao longo de todo processo eleitoral - desde os coordenadores de curso e membros dos conselhos superiores, chegando até a eleição para o cargo máximo da instituição, que paralisou o processo e quase leva à prisão do presidente da Comissão Eleitoral e do vice-reitor por desacato da ordem judicial supostamente mal interpretada.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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