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Anuário aponta queda de mortes, mas Pará lidera ranking no Norte como 8º mais violento do País

Marituba, Grande Belém: 3ª. posição entre municípios com mais de 100 mil habitantes com mais mortes por intervenção policial em 2024: 27,7%

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  • 25/07/25 11:00
Anuário aponta queda de mortes, mas Pará lidera ranking no Norte como 8º mais violento do País
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Pará apresentou uma leve queda no número de mortes violentas intencionais, passando de 2.745, em 2023, para 2.560, em 2024, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança 2025, divulgado ontem. Considerando apenas as regiões, o Estado lidera, com folga, o número nesta categoria na Região Norte. Em 2012, quando o Anuário começou a ser veiculado, o Pará apresentou 3.401 MVI, mas, em 2024, esse número caiu para 2.560. Durante esses mais de 14 anos, o registro mostra que o ano mais violento no Pará foi em 2018, com 4.720 MVI.  

 

Plantada no coração da Região Metropolitana de Belém, a cidade de Marituba se destaca entre as mais violentas do País/Fotos: Divulgação.

Entre os dez municípios com mais de 100 mil habitantes com as maiores taxas de mortes por intervenção policial em 2024, o Pará aparece na terceira posição, com o município de Marituba, na Região Metropolitana, que apresenta uma taxa de mortes de 27,7%.  

O Anuário mostra que o Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais (MVI), com taxa de 20,8 por grupo de 100 mil habitantes, o que aponta para uma redução de 5,4% em relação ao ano anterior, quando a taxa foi de 21,9 por 100 mil, sendo que esta é a menor taxa desde 2012. Apesar da redução dos homicídios registrados nos últimos anos, o número de mortos em intervenções policiais permanece em patamares alarmantes, vitimando, desde 2018, mais de 6 mil pessoas-ano. 

A categoria MIV corresponde à soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora dele. Representa o total de vítimas de mortes violentas com intencionalidade definida de determinado território.  

O Anuário mostra que no primeiro ano da série, em 2012, a taxa nacional era de 27,7 mortes por 100 mil habitantes, com crescimento contínuo até 2017, quando atinge 31,2 por 100 mil, sendo a maior taxa já registrada, o que totalizou mais de 64 mil vítimas de mortes violentas em um único ano. 

Naquele período, um racha entre as duas maiores facções criminosas do País, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, desencadeou um conflito sangrento no sistema penitenciário. A violência rapidamente ultrapassou os muros dos presídios, espalhando-se pelas ruas, especialmente nos Estados das regiões Norte e Nordeste.  

Em 2017, os Estados do Nordeste registraram uma taxa média de MVI de 49,0 por 100 mil habitantes, enquanto no ano seguinte a taxa na Região Norte atingiu 45,4 por 100 mil. 

No último ano, os Estados com maiores taxas de mortalidade - aquela medida por grupo de 100 mil pessoas - foram Amapá (45,1 por 100 mil), Bahia (40,6 por 100 mil), Ceará (37,5 por 100 mil), Pernambuco (36,2 por 100 mil) e Alagoas (35,4 por 100 mil). O Pará ocupa a oitava posição nesse quesito, com 29,5 mortes por 100 mil habitantes, que está acima da média nacional, que é de 20,8.

Roubo de celulares 

A capital do Pará, Belém, aparece no relatório entre as quatro cidades brasileiras com maiores taxas de roubo e furto de celular. A capital paraense ocupa a segunda posição, atrás de São Luiz, no Maranhão, e à frente de São Paulo capital e Salvador, na Bahia. O que se apurou foi que houve uma redução de furtos e roubos de celulares no Pará, passando de 53.441, em 2023, para 50.157 em 2024. Foram recuperados 768 aparelhos ano passado.  

Um dado que chama atenção é que a cidade de São Paulo possui 5,6% da população brasileira e 18,5% de todos os roubos e furtos de celular do País acontecem nela.  

Mortes por ação policial

As regiões Sul e Sudeste se consolidam como aquelas que concentram as menores taxas de mortes violentas intencionais do País, ao passo que as regiões Nordeste e Norte permanecem como as mais violentas.   Outro dado relevante é sobre a participação das polícias em mortes violentas intencionais. Na média Brasil, em 2023, as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP) correspondiam a 13,8% do total de Mortes Violentas Intencionais (MVI). Em 2024, esse percentual teve leve alta, atingindo 14,1%.  

No entanto, é no contexto subnacional que essa informação ganha destaque e revela, ao menos, três grupos de padrões de uso da força letal pelas polícias: até 10%, de 10,1% a 20%, e acima de 20,1% de intervenções policiais. 

O Pará está no terceiro grupo, o de mais de 20% das MVI decorrentes de intervenções policiais. Em 2023, esse percentual foi de 19,6% e em 2024, subiu para 23,7%, o que coloca o Estado na quinta posição em mortes em ações policiais, quesito que é liderado pelo Amapá.  

O Anuário destaca que São Paulo e Pará estavam no grupo 2 de padrão de uso letal da força em 2023 e, em um ano, observaram crescimento na proporção de mortes pela polícia em relação ao total das mortes violentas intencionais e ambos migraram para a faixa 3, superando o limite de 20,1% do total de mortes. O caso paulista é o mais expressivo pois, entre 2023 e 2024, houve aumento de 61% na taxa de vítimas de intervenções policiais.  

O Pará teve decréscimo no número de latrocínios, que é o roubo que tem como consequência a morte. Em 2023, esse número foi de 73, passando para 66, no ano passado.  

Matar ou morrer

Sobre mortes de policiais, nos dois últimos anos de checagem do Anuário, houve morte de apenas um policial civil em operações. Já o número de policiais militares em ação, se em 2023, foi alto e apontou 11 mortes, em 2024, caiu bastante, com o registro de duas mortes.  

Sobre as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial, em uma análise por Estado revela disparidades regionais expressivas. Dentre as 27 unidades da federação, dez apresentaram taxas de letalidade provocada por intervenções policiais acima da média nacional, que é de 14% por 100 mil habitantes. E o Pará está na terceira posição, com 7% por 100 mil, atrás do Amapá e da Bahia.  

Dos 5.570 municípios brasileiros, 1.226 registraram ao menos um caso de letalidade policial em 2024, o que representa 22% do total. Chama atenção o fato de que os três Estados com as maiores taxas de letalidade policial também concentram as maiores proporções de municípios com registros de mortes por intervenção policial: Amapá (68,8%), Pará (63,9%) e Bahia (53,2%), os únicos a superar a marca de 50%. 

Papo Reto

•Um novo visitante das profundezas do espaço está cruzando o Sistema Solar. Foi descoberto no dia 1º de julho e não se comporta como um simples asteroide ou cometa. 

O 3I/Atlas apresenta uma trajetória e características tão peculiares que pesquisadores, incluindo o físico Ab Loeb (foto), da Universidade de Harvard, levantou uma hipótese audaciosa em novo estudo: e se estivermos testemunhando a chegada de uma sonda alienígena? 

•Erramos: não eram do MST, como saiu aqui, ontem, mas populares estimulados por uma influencer da região, as pessoas que atearam fogo em pneus e interromperam o tráfego de veículos na entrada de Tomé-Açu.

Foi um protesto contra a indisponibilidade de leitos hospitalares no único hospital público do município e a influencer foi detida pela Polícia. Quanto ao MST, segue invadindo propriedades em outros Estados e, no Pará, até agora, passeando nas ruas de Belém.

•A Santa Sé e a China renovaram, por mais quatro anos, o acordo que proíbe a nomeação de bispos sem o consentimento papal no país asiático. 

Esta é a terceira renovação do pacto, que busca unir os bispos chineses em torno do Papa. Havia dúvidas se o acordo seria renovado após a morte de Francisco. 

•Casos de síndrome respiratória aguda grave caem no País, diz Fiocruz, mas a alta incidência da SRAG entre crianças pequenas nas quais o vírus sincicial respiratório é o principal vírus identificado.

Quanto aos casos de SRAG em idosos, associados à influenza A, apesar da queda na maior parte do País, os números permanecem elevados em Estados das regiões centro-sul, Norte e Nordeste.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.